No terceiro dia de protestos por causa da violência policial contra os negros, os Estados Unidos tiveram centenas de prisões na noite de sábado (9). A CNN informou que ao menos 198 pessoas foram presas em Nova York, Chicaco, em St. Paul, Minnesota e em Baton Rouge, Louisiana.
As manifestações acontecem após dois incidentes que resultaram na morte de dois cidadãos negros por policiais, um em Baton Rouge, Luisiana, na terça-feira (5) e outro na quinta-feira (7), em Minnesota.
As mortes motivaram protestos em várias cidades pelo país. Na sexta-feira (8), um franco-atirador abriu fogo contra agentes que acompanhavam uma manifestação contra a violência policial em Dallas, no estado do Texas (EUA).
Os recentes casos de violência contra afro-descendentes geraram uma onda de protestos nos últimos dias, a maioria pacíficos.
Minnesota
O protesto aconteceu em St. Paul, no estado americano de Minnesota, e terminou com 50 detidos, segundo números da CNN.
Os protestos fecharam uma rua principal da cidade, levando, além das prisões, a confrontos entre polícia e manifestantes. A Interstate 94, uma via importante, foi fechada, bloqueando o trânsito.
A polícia informou ter pedido para que os manifestantes se dispersassem, mas eles jogaram pedras, garrafas e outros objetos contra os policiais, ferindo ao menos três.
A polícia também usou bombas de fumaça contra os manifestantes. Participantes do protesto afirmaram que a polícia também usou gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Baton Rouge
Segundo a CNN, o total de prisões em Baton Rouge foi de 125 na noite de sábado. Entre elas estpa a de um famoso ativista do movimento Black Lives Matter (BLM, "As vidas dos negros importam"), que filmou o confronto entre a polícia e os manifestantes na cidade. DeRay McKesson postou as imagens em seu perfil no Twitter.
Ele foi detido, segundo informações divulgadas pela France Presse, porque bloqueava a passagem, apesar de o ativista mostrar no vídeo que não havia obstáculos na rua.
Segundo relatos de McKesson, a polícia provocou os manifestantes. "Nós estávamos literalmente de pé na calçada quando eles avançaram. Os manifestantes não estavam bloqueando o trânsito ou fazendo qualquer outra coisa. A polícia simplesmente quis mostrar e usar força", relatou no Twitter.
Nova York
Centenas de pessoas voltaram a se reunir em Nova York no sábado (9), pela terceira noite consecutiva, para repudiar a violência policial contra os negros. "Quem será o próximo?", "Cuidado, racismo", "Não atirem", "Basta", "Sem justiça, sem paz", afirmavam alguns cartazes exibidos pelos manifestantes, segundo a France Presse.
Violência policial contra os negros
Os protestos acontecem após a divulgação de vídeos na internet registrando violência policial contra cidadão negros. Nos dois incidentes, um na terça (5) e outro nesta quinta-feira (7), um homem negro acabou morto em uma ação policial.
Um dos episódios aconteceu em Falcon Heights, Minnesota, e resultou na morte de Philando Castile pela polícia. O estopim para os protestos teria sido um vídeo que a namorada de Castile, Diamond Reynolds, publicou nas redes sociais. As imagens mostram ela sentada no banco do passageiro de um veículo com o namorado, ainda vivo, no assento do motorista e com uma camisa branca manchada de sangue.
No vídeo, Diamond explica que Castile, de 32 anos, estava buscando sua bolsa para mostrar um documento de identidade ao agente e avisou estar com uma arma de fogo porque tinha licença para tê-la, até que a polícia ordenou que ele levasse as mãos à cabeça.
Então, segundo a versão da namorada de Castile, o policial fez "quatro ou cinco" disparos.
As imagens mostram as mãos do policial, visivelmente nervoso, apontando uma arma para Castile, que permanece no interior do veículo em silêncio, com o cinto de segurança e com o tronco do corpo para trás.
Outro caso foi a morte de Alton Sterling, um homem negro de 37 anos, que morreu na terça-feira em Baton Rouge (Luisiana) após uma ação envolvendo dois policiais brancos, incidente que foi gravado e que provocou vários protestos.
As imagens foram gravadas com um telefone celular. No vídeo, um dos policiais parece pegar uma pistola e colocar no pescoço de Sterling, no momento em que ele estava imobilizado no solo.
Ataque em Dallas
Na noite de quinta-feira, um franco-atirador matou 5 policiais durante uma manifestação em Dallas, no Texas. Sete policiais e dois civis ficaram feridos. O atirador, um americano que havia lutado no Afeganistão, foi morto por um robô-bomba da polícia. As autoridades disseram que o atirador, Micah Johnson, afirmou querer "matar pessoas brancas".
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse no sábado que o atirador de Dallas "não representa" os afro-americanos. Ele também negou que os EUA sejam um "país dividido" pela questão racial.