Cidades

CONTRA O CÂNCER

Perder os cabelos foi incentivo para elevar a autoestima de outras mulheres

Perder os cabelos foi incentivo para <br>elevar a autoestima de outras mulheres

Redação

31/07/2016 - 11h04

Apesar de saber que a queda do cabelo seria inevitável, quando os fios foram se perdendo, junto com eles, Luciane Albuquerque da Silva, de 39 anos, perdeu também a vontade de se olhar no espelho. Amparada no amor do marido e das filhas, ela reagiu, ganhou perucas e lenços e hoje sua maior vontade é ajudar mulheres na mesma situação a recuperarem a autoestima.

Do exame de rotina à notícia inesperada de que um nódulo no seio foi encontrado, a vendedora Michelle Cristina Albuquerque da Silva, de 21 anos, assim como milhares de mulheres, não acreditava que a doença pudesse atingir a família dela, mais precisamente sua mãe, Luciane.

Há cinco meses a dona de casa descobriu a suspeita de um nódulo maligno após fazer exame de mama. Um segundo exame solicitado pelo médico constatou a triste realidade que Luciane teria de enfrentar daquele dia em diante: a batalha contra o câncer.

“Quando ela fez a mamografia, pediram para refazer, porque tinham visto algo estranho. Refizeram e na biopsia descobriram que já estava com câncer maligno grau três, pois ela não sentia dor, só começou a doer depois que ela descobriu”, conta a filha mais velha de Luciane.

Após 15 dias que iniciou a quimioterapia o cabelo de Luciane começou a cair e o desespero tomou conta dela. “Já na primeira sessão falaram que, quando cai cabelo é que a quimio fez efeito, depois de duas semanas começaram a cair os tufos de cabelo, então ela mesma decidiu raspar a cabeça”, conta Michelle.

Certo dia, ao chegar em casa, Michelle se deparou com a mãe e o pai, o pedreiro Roberto Ferreira da Silva, de 48 anos, carecas. “Meu pai raspou a cabeça junto com ela, ele que raspou a dela”. Sem os fios loiros, Luciane escondeu os espelhos e não queria mais sair de casa. Com o passar dos dias, em contato com outras mulheres que enfrentam a mesma batalha, Luciane conheceu história de mulheres que foram abandonadas pelos maridos e filhos.

“Diante do carinho e do amor que recebi dentro de casa comecei a reagir. Ganhei lenços e perucas. Comecei a me maquiar, coisa que nunca fui de fazer e saio cada dia com uma peruca. E agora também comecei a fazer as pazes com o espelho”, conta Luciane, que também é mãe de Débora Regina Albuquerque da Silva Fonseca, de 18 anos.

Mesmo com os motivos mais justificados para cair em depressão ou ficar enclausurada em casa, Luciane resolveu fazer por outras mulheres o que fizeram por ela. Histórias iguais a esta podem ser vistas diariamente, mas, a coragem e a força de Luciane, nem sempre.

Ela e a filha montaram um grupo no whatsapp chamado “Corrente do Bem” para arrecadar doações de lenços, perucas e tudo que possa elevar a estima das mulheres. “Várias pessoas estão querendo ajudar, cada uma doa de uma forma. Quem não pode entregar a gente vai buscar”, pontua Michelle.

A arrecadação é feita durante os próximos 30 dias. Os produtos serão entregues por Luciane e a família dela em uma tarde de lazer destinada exclusivamente para mulheres que passam por processo quimioterápico. Ainda no mesmo dia serão fornecidos corte de cabelo e maquiagem por voluntários da “Corrente do Bem”.

“Ganhei muitas coisas de amigos e pensei, se fez bem para mim, vai fazer bem para outras pessoas também, minha autoestima melhorou, consigo encarar o problema mais de frente, vejo que outras mulheres sentem essa falta”, relata Luciane.

“Só quem passa por isso é que sabe como é, quando fiquei sabendo do câncer não fiquei tão abalada quando começou a cair meu cabelo”, ressalta Luciane ao completar que “enquanto fazia os exames, tinha vida normal”.

Até o momento Luciane já faz três sessões de quimioterapia. O procedimento é realizado a cada 21 dias e ela deve fazer ainda outros três. Ao retornar para casa, após cada sessão Luciane passa três dias sem querer sair, já que os efeitos colaterais são muito forte. No dia 9 de agosto ela tem nova consulta onde a médica deve informar se poderá fazer a cirurgia.

Com a voz firme de quem sabe da vitória lá na frente, Luciane quer levar para mulheres que passam pela mesma situação mensagem de esperança. “Vou na casa de pessoas que estão passando pela doença dar uma palavra de força porque o que queremos é dizer que isso tem cura e que vai passar”, diz a mulher de 39 anos que deve começar, em breve, uma nova luta contra o câncer que atingiu o pulmão.

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