Cidades

Violência

Campo Grande repete fronteira e "lei do silêncio" impera depois de execuções

Em quatro dias, três pessoas foram executadas em dois bairros da cidade

Redação

18/08/2016 - 12h00

A violência durante a execução de dois homens ocorrida na manhã da sexta-feira passada, no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, assusta testemunhas. Em um cenário de tensão semelhante ao vivido por moradores da região de fronteira do Brasil com Bolívia e Paraguai - que sempre presenciam crimes de pistolagem - funcionários e responsáveis pela obra da casa onde a dupla foi morta, temem prestar informações para a polícia e depois serem alvos de retaliação por parte dos criminosos. 

De acordo com o delegado Weber Luciano de Medeiros, que investiga o caso pela 2ª Delegacia de Polícia da Capital, esse medo instaurado entre as testemunhas é justificado pela frieza com que os assassinos mataram Magano Gauber Guimarães, de 32 anos, e Ailton Marcio de Oliveira Ferreira, da mesma idade. A ação fez com que o espectadores da ação optassem por restringir seus depoimentos junto à autoridade policial, a fim de preservarem a própria integridade.

Tal postura, embora seja justificada, é mais um obstáculo imposto às investigações. Porém, Medeiros garante que os trabalhos estão trazendo resultados conforme esperado e que, em poucos dias, deve apresentar os responsáveis, bem como a motivação. Depois de ouvir os funcionários do local, o delegado, que também prefere manter sigilo sobre o caso, para não comprometer as investigações, disse que os discursos foram praticamente os mesmos.

“Eles falam que viram o carro [das vítimas] se aproximando, mas quando lembram que a moto ocupada pelos executores se aproxima, dizem já não sabem de mais nada”, pontuou.

Outro caso que também repete o "silêncio" da fronteira é a execução do advogado e fiscal sanitário Luiz Eduardo Lopes, de 45 anos, na última terça-feira (16), no bairro Aero Rancho.

SILÊNCIO

Esse medo faz parte da rotina dos policiais que investigam crimes de pistolagem na fronteira com o Paraguai,a  exemplo do assassinato do ex-prefeito de Ponta Porã, Oscar Goldoni, e da chacina de Paranhos, ambas ocorrências do ano passado, mas que até o presente momento não foram elucidadas em razão, principalmente, da falta de informações que a polícia obteve. Naquela região, todos temem em testemunhar oficialmente e se recusam veemente a comparecer à delegacia. 

Em certas situações, a polícia consegue visualizar em imagens de câmeras de segurança que determinado indivíduo presenciou o crime, mas este, quando intimado, prefere não comparecer ou então sempre diz que não sabe de nada e que nem mesmo esteve naquele local, embora registros mostrem o contrário. No caso de Goldoni, até mesmo informações desencontradas foram enviadas à polícia, a fim de comprometer ainda mais as investigações.

Ainda sobre o caso do Bairro Nova Lima, Medeiros não dá detalhes sobre a motivação, mas sugere que tenha algum indício “de envolvimento com droga”. 

DUPLA EXECUÇÃO

No final da manhã de sexta-feira, Magno e Ailton foram assassinados por uma dupla de moto que, de acordo com testemunhas, os perseguia pelo bairro. As vítimas estavam em um Fiat Uno e foram alcançadas pelos atiradores em frente de uma obra na Rua Randolfo de Lima. Ailton foi baleado e morreu dentro do carro. Magno tentou correr para dentro da obra, mas foi perseguido e morto. 

No local a Polícia Civil apreendeu uma pistola que seria das vítimas. Magno usava documento falso e já tinha passagens por roubo, tráfico e tentativa de homicídio. O delegado Weber Luciano de Medeiros, responsável pelas investigações junto à 2ª Delegacia de Polícia da Capital, a suspeita é de que o crime tenha ligação com o tráfico de drogas, embora garanta que esta seja apenas uma das várias hipóteses iniciais sobre a motivação.

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