Mulheres que trabalhavam em loja de shopping sonharam juntas com a possibilidade de abrirem o próprio negócio e, em julho de 2003, elas conseguiram fazer com que a ideia saísse do plano imaginário, tomando forma a “Costuraria”. Depois de enfrentarem várias adversidades, elas afirmam que a dedicação é o primeiro passo para ser bem-sucedido em qualquer área.
Dione Toledo Benitez, de 56 anos, conta que a ideia de montarem o próprio negócio tomou força depois que uma das três amigas foi demitida. Elas juntaram as economias, fizeram empréstimos bancários e inauguraram a oficina de roupas.
“Teve ajuda de todo mundo. O marido de uma era pintor na época e colocou os pisos na loja. Outro era eletricista e fez toda a parte elétrica”, conta Rosilda.
No início, a empresa exigiu dedicação exclusiva das três profissionais. Uma era responsável pela costura e reforma de tecidos grossos como o jeans, outra ocupava-se dos panos mais finos e a última atendia o balcão.
“Foi muito difícil porque montamos um negócio sem nada e não tínhamos salário. O aluguel do espaço era caríssimo. Era cheque pré-datado para tudo que é lado e a gente dividia tudo o que ganhava”, lembra Dione dos primeiros meses de negócio, localizado desde o início na Rua Rio Grande do Sul.
Ela lembra que os pensamentos mais frequentes na mente das costureiras, naquele período, eram o número de barras de calças que precisariam fazer para arcar com os custos da locação do prédio. À época, o serviço custava apenas R$ 8.
RUPTURA
Acostumadas a consertarem tecidos rasgados, elas tiveram que lidar com uma ruptura sem volta, quando a costureira Sandra Sandoval pediu sua parte na sociedade. Se elas já tinham pouco capital de giro, a situação piorou um pouco porque foi necessário realizar o pagamento da parte da sócia, mas nada que desanimasse as profissionais. “Ela foi muito importante e depois montou o próprio negócio”, pontua Rosilda.
Dione e Rosilda Rocha, 56 anos, levaram o trabalho adiante e permanecem com a sociedade até hoje. “A gente continuou. Tinha que vestir a camisa e pronto. A gente ficava até 20h, 21h, sem horário de almoço. Entregava na casa do cliente. Foi muita perseverança!”, declara Dione.
RESULTADO
Não demorou para que a dedicação das mulheres surtisse efeito. Um ano depois da abertura da oficina de roupas, elas já contrataram a primeira costureira, depois veio mais uma e outra. Hoje, são 10 profissionais e a “Costuraria” tem filial, localizada na Marechal Rondon, no Centro de Campo Grande.
Dione e Rosilda agora desfrutam de algumas “regalias” como horário de almoço e viagens durante as férias. “A procura está maior. A gente está bem conhecida, cativamos muito clientes. A primeira pessoa que entrou aqui quando a gente abriu ainda vem”, conta Dione orgulhosa.
Ela lembra ainda que, no começo, a preocupação com as contas e responsabilidade com funcionários era constante. “Mas não tinha outra saída, já tinha firmado os compromissos. Nunca pensei em desistir”, declara Dione.
Rosilda completa que, quando abriram a primeira loja, elas não pensavam que um dia a “Costuraria” teria uma filial. “No começo a gente nem pensava nisso. A gente só queria que desse certo”, diz.
Para ela, o êxito que tiveram no negócio é resultado da própria amizade entre as costureiras. “O principal foi a própria sociedade ter dado certo, a confiança que temos uma na outra. Temos uma história de vida mais ou menos igual. Somos duas pessoas trabalhadoras. A gente pega firme mesmo”, finaliza.