O Hospital Universitário (HU) Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande, está prestes a suspender parcialmente o atendimento à população. O fechamento de leitos, que pode ocorrer em até uma semana, foi confirmado pela superintendente do hospital, Andréia Brochado Antoniolli.
O problema está no valor repassado ao hospital, que atualmente é de R$ 1,850 milhão e não tem reajuste há quase uma década. Por conta da falta de recursos, o HU pode reduzir atendimentos, prejudicando ainda mais a saúde na Capital, que já é deficiente desde a atenção básica até a alta complexidade. Atualmente, o hospital tem deficit de aproximadamente R$ 16 milhões.
“O nosso recurso vem da contratualização com o gestor, que, no nosso caso, é a prefeitura. Só que o valor não é atualizado há nove anos e em outubro do ano passado, quando fomos renovar o contrato, a gente pediu uma revisão. A negociação foi longa, difícil, teve apoio e interferência do Ministério Público (MPE), durou quase este ano todo. Mas conseguimos aumentar o repasse para R$ 3,6 milhões. Porém, desde o dia 27 de setembro, a prefeitura promete a assinatura, que até agora não aconteceu. Ainda prometeu enviar a diferença mesmo sem a pactuação e também não o fez”, relata a superintendente.
Sem recursos, o hospital confirma falta de medicamentos, insumos e materiais. Repasses feitos diretamente pelo Ministério da Saúde, por intermédio do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – que administra o HU –, ainda garantem o funcionamento do local. “O paciente internado é o maior prejudicado. Estamos conseguindo manter as portas abertas em razão dos recursos federais, que chegam de maneira muito irregular. Estamos prestes a receber uma quantia esta semana, que vai nos salvar temporariamente. É insuficiente. Estamos vivendo graças ao dinheiro que vem da Ebserh e do Rehuf, que deveria ser usado para reforma, melhoria de estrutura e equipamentos. Mas a gente usa para comprar remédios, insumos e pagar as contas”, explica Andréia Antoniolli.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) confirmou ao Conselho Municipal de Saúde que o contrato com o HU seria assinado até sexta-feira. “Foram tantas datas prometidas, vamos esperar e torcer para a situação ser resolvida”, afirma a superintendente.
Reportagem publicada no Correio do Estado, no dia 16 de outubro deste ano, já mostrava a situação de precariedade enfrentada pelo hospital. Atualmente, são 212 leitos, 26 exclusivos para o Pronto Atendimento Médico (PAM) e 186 para internação – sendo oito de unidade de terapia intensiva (UTI) adulto e seis neonatal. Entre janeiro de 2015 e outubro deste ano, o número global de vagas reduziu 10,5% – antes eram 237 –, ou seja, foram fechados 25 leitos. Já a quantidade de leitos de UTI neonatal teve 40% de queda, passando de dez para seis, em 22 meses.