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EDUCAÇÃO

Enem aborda questões de gênero, refugiados, escravidão e ditaduras latinas

Enem aborda questões de gênero, refugiados, escravidão e ditaduras latinas

Redação

06/11/2016 - 08h14
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O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não surpreendeu os candidatos e professores quanto à estratégia de usar temas atuais para abordar conceitos das diferentes disciplinas. Assuntos como a crise dos refugiados na Europa, a manutenção de comportamentos machistas na sociedade atual e as recentes discussões sobre a democratização de espaços urbanos, por exemplo, poderiam ser mais facilmente respondidos por quem dedicou parte do estudo ao noticiário recente.

Questões de filosofia sobre Platão e as ditaduras em países da América Latina no século 20 voltaram a ser objeto de avaliação do exame. Na história, a abordagem de questões sociais como a discriminação racial e a política brasileira foi elogiada por quem fez ou teve acesso ao caderno após as provas.

O professor de história Tiago Diana, coordenador pedagógico do Colégio Projeção, considera importante trazer à tona questões relativas ao ensino de africanidades, muitas vezes deixado de lado pelas escolas.

“O Enem sempre tem mostrado a importância desses temas. A prova, até pela quantidade de informações, é a chance de o candidato ter um pouco mais de conhecimento. Com certeza ele sai da prova melhor do que chegou, em termos de informação. É [a oportunidade de o estudante] olhar para o país, refletir, pensar no presente e no passado, ver que esses resquícios da história continuam presentes”, afirma.

Considerada a mais difícil por muitos estudantes, a prova de química chamou a atenção do professor Jônatas Gonçalves, que dá aulas nos colégios Pódion e Sigma, por trazer expressões de difícil compreensão e aprofundar-se em tópicos distantes do aprendizado médio dos estudantes. De acordo com ele, o conteúdo repassado ao longo dos três anos de ensino médio é "muito amplo" e "pouco explorado no Enem".

Jônatas reconhece a importância de lidar com temas espinhosos por meio de fatos do cotidiano, mas alerta para a possibilidade de o texto “assustar” o estudante e impedi-lo de resolver com tranquilidade a questão. “Acredito que o exame aprofundou este ano na característica conteudista. A prova de química está fora da realidade da população brasileira. Certamente está muito acima do nível para qualquer aluno responder. Seja de escola pública ou privada, sem duvida os estudantes tiveram dificuldade”, critica.

Logo mais, às 21h30, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) transmite pela web, pelo rádio e pela TV o programa Caiu no Enem. Professores convidados vão comentar a prova e destacar quais foram os principais temas cobrados, as surpresas e expectativas da edição 2016 do exame.

O programa será transmitido ao vivo pelo Portal EBC, pela Rádio Nacional, Rádio MEC e TV Brasil. Para acompanhar a transmissão e enviar dúvidas aos especialistas, basta acessar as redes sociais da EBC. Amanhã (6), o programa para comentar o segundo dia de provas começa mais cedo, às 20h.

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