O estoque de merenda escolar deixado pela administração de Alcides Bernal (PP) para ser distribuído no ano letivo de 2017 está com falta de itens e ao menos o arroz estava com caruncho. Os problemas foram constatados depois de vistoria feita na terça-feira (3) pelo novo comando da Superintendência de Abastecimento Alimentar (Suali), da Prefeitura de Campo Grande.
As deficiências também foram identificadas com relação à falta de manutenção na câmara fria, que pode estocar até 60 toneladas de alimentos, e problemas para a logística. Isso porque há quatro caminhões baú para distribuição dos alimentos, mas nenhum está em condições de rodagem.
As 12 nutricionistas que fazem a regulação dos cardápios e definem quantidades a serem distribuídas para as 223 entidades da Capital cadastradas no Fundo Nacional de Desenvolvimento para Educação (FNDE) também estavam sem meio de transporte para realizarem as visitas a escolas, centros educacionais infantis (Ceinfs) e outras unidades parceiras.
Muitas vezes, esses profissionais iam com veículo próprio para não deixarem de realizar o serviço, mas como não era possível visitar todas as entidades, nem sempre havia a destinação correta da quantidade de itens. Isso ocasionava sobra em alguns casos, ou falta de alimentos.
Para não haver risco de falta de merenda a 105 mil pessoas, a Suali precisa equacionar as defasagens até 22 de janeiro.
"O cardápio montado pelas nutricionistas precisa de 20 itens, mas nós só temos 12 estocados", explicou o superintendente Adautro Albineli.
As disparidades no estoque são demonstradas em números. Hoje há 38 mil quilos de feijão, quantidade suficiente para a primeira semana de distribuição, mas 500 quilos de açúcar. Esse total não atende às exigências.
Outros 9 mil quilos de arroz foram encontrados com caruncho. Os insetos tomaram conta dos pacotes e inviabilizaram o alimento.
TROCA EXIGIDA
A administração da Suali negociou com o fornecedor de arroz e conseguiu que houvesse a troca de todo o produto estragado. O novo estoque foi entregue hoje.
O prefeito Marcos Trad (PSD), que visitou a superintendência nesta sexta-feira, disse que será revisto também as características do arroz que vem sendo comprado. "A presença do caruncho estaria ligada à qualidade. Acreditamos que isso é que é o problema", opinou.
TEMPO CURTO
As aulas em Campo Grande começam no dia 6 de fevereiro e os alimentos precisam ser distribuídos às escolas a partir do dia 23 de janeiro para haver tempo hábil.
As entregas costumam acontecer um vez por mês e depois de iniciadas duram até duas semanas até completar todas as 223 entidades beneficiadas. No ano passado, como os caminhões que fazem esse serviço não podiam rodar, diretores estavam fazendo a coleta.
Adautro Albineli, superintendente de Abastecimento Alimentar da Secretaria Municipal de Educação, informou que vai ligar para fornecedores e tentar receber alimentos que faltam. Também será preciso identificar se há atrasos no pagamento para regularizar os estoques.
Caminhão que era para ser usado na distribuição de alimentos da merenda escolar está sucateado. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado