Em um ano, aproximadamente 3,6 milhões de exames deixaram de ser realizados pelo Laboratório Central Municipal (Labcen), em Campo Grande. A atual administração do município informou que entre janeiro e dezembro de 2016 o local, que tem capacidade para realizar 350 mil exames por mês tenha realizado em média apenas 50 mil. Ou seja, em 12 meses foram 600 mil procedimentos, mas a “fila” de espera é cinco vezes maior do que o montante de exames realizados.
O Labcen continua operando parcialmente nas áreas de hematologia (exames de sangue), parasitologia (exames de fezes) e urocultura (exames de urina). Já os procedimentos nas áreas de bioquímica e imunologia funcionam apenas com o apoio de um farmacêutico e do Instituto de Pesquisas, Ensino e Diagnósticos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Iped/Apae).
A previsão da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) é de que o laboratório volte a funcionar normalmente a partir do dia 10 de fevereiro. Até lá, o fornecimento de materiais e insumos para os procedimentos é feito parcialmente, apenas para garantir a continuidade da realização dos 50 mil exames mensais. Por conta da falta dos produtos, no mês de julho de 2016, milhares de materiais coletados foram descartados, por terem passado do prazo de validade.
Na terça-feira (17), o juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos, Individuais Homogêneos, David de Oliveira Gomes Filho, deferiu antecipação de tutela da Ação Civil Pública do Ministério Público do Estado (MPE/MS) contra o município de Campo Grande. Na decisão, foi determinado que o estoque dos reagentes químicos do Labcen seja abastecido, além de regularizada as questões sanitárias “no menor prazo possível”.
A ação foi ingressada pela promotora Paula da Silva Volpe, após denúncias e investigações que comprovaram diversas irregularidades no prédio público, além de péssimas condições na estrutura, expondo os usuários ao risco de contaminação. O relatório apontou ainda ausência de espaço físico, vários problemas de conservação do prédio, como teto mofado, infiltrações, janelas quebradas, além das imprecisões nos exames devido a possíveis falhas operacionais na fase pré-analítica.
As inspeções realizadas no LABCEN apontaram ainda falta de reagentes para realização de exames, falta de padronização na coleta transporte, recebimento e triagem de amostras que comprometem a qualidade dos exames, além do fato de que amostras de sangue dos pacientes ainda continuam sendo coletadas e os exames não realizados.
*A reportagem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.