“É apertar os cintos porque esse ano vai ser travessia do deserto”. A declaração foi dada, hoje, pelo titular da Secretaria Municipal de Finanças e Controle, Pedro Pedrossian Neto ao explicar as medidas que serão tomadas pela Prefeitura de Campo Grande para manter as contas em dia em meio à crise.
Dentre as ações do Executivo, a redução em 20% do custeio de cada uma das secretarias municipais. Exceção será na secretaria de educação, com diminuição de 10% e de saúde que não terá cortes.
Em princípio, os gastos da Prefeitura estavam orçados em R$ 1.5 bilhão, mas o valor foi revisto e teve redução de 13,6%, passando para R$ 1.3 bi.
Despesas com custeio e pessoal tiveram redução de mais de R$ 47 milhões cada área. Mas o corte mais expressivo será dos investimentos. O orçamento inicial previa R$ 171 bilhões, entretanto depois da revisão o valor ficou em R$ 51 bi.
O Prefeito Marcos Trad (PSD) informou que, apesar deste cenário, não haverá aumento do no valor dos impostos. “Praticamente vamos administrar 2017 com as bênçãos de Deus e fazendo o arroz com feijão”.
DÍVIDAS
Até 10 de fevereiro, o caixa municipal recebeu o reforço de mais de R$ 232 milhões com o pagamento antecipado do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e as negociações do Programa de Conciliação Fiscal (Refis). No ano passado, a arrecadação foi de R$ 200,7 milhões.
O problema é que boa parte desta verba foi usada para o pagamento de dívidas deixadas pela gestão anterior.
“Olhando só o IPTU isso parece positivo, mas temos que fazer a avaliação global. Da gestão passada, pagamos, até agora, R$ 183 milhões. Temos que fazer uma nova previsão do orçamento para conseguir colocar ele em prática”, declarou o secretário de Finanças.
Marcos Trad completou que “esses R$ 183 milhões deveriam ser investimentos na saúde, na habitação, no lazer e na segurança pública. Mas nós tivemos que pagar folha salarial dos funcionários do mês de dezembro, 13º salário, repasse à Santa Casa, repasse ao Hospital do Câncer, repasse ao Hospital Universitário, além de termos que honrar com decisões judiciais, tais como Omep e Seleta, Solurb e outros”, finalizou.