Cidades

assassinato de major

Oficial diz que ajoelhou e pediu para Itamara não se matar após atirar no marido

Justiça fez audiência sobre assassinato cometido por tenente-coronel

Redação

03/10/2017 - 15h57

O tenente-coronel da Polícia Militar Mário Ângelo Ajala, que negociou a rendição da também tenente-coronel Itamara Romero Nogueira, depois de ela ter atirado e matado o marido, major Valdeni Lopes Nogueira, disse hoje em juízo que implorou para que a policial não se matasse.

"Eu me ajoelhei e pedi para (ela) não cometer suicídio", disse em depoimento concedido na tarde de hoje na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, ao juiz Aluízio Pereira dos Santos. Ele comentou que a tenente-coronel chegou a colocar a arma engatilhada na boca, depois no queixo e, ainda, no ouvido.

Em seu relato, ele explicou ao juiz que para tentar acalmá-la precisou ficar desarmado. Ainda tirou o uniforme e ficou só de camiseta.

"Pensa em Deus em 1º lugar", afirmou o tenente-coronel Ajala sobre o que teria dito no dia do crime, em 12 de julho do ano passado. Ele relatou que ficou ajoelhado por um tempo até que a colega policial entregasse a arma. 

O oficial ainda confirmou que viu um hematona no rosto de Itamara. Também encontrou passagens aéreas jogadas na sala e malas de viagem estavam fechadas em um dos quartos da residência, que fica no bairro Santo Antônio.

Ajala foi a segunda pessoa a entrar na cena do crime. A primeira foi o hoje cabo da PM, Flávio Fonseca Ourias. Ele disse em juízo que o portão da casa estava trancado e a própria Itamara foi quem o abriu, depois de ele chamá-la pelo nome.

Quando entrou na casa, Valdeni Nogueira estava caído na porta da sala e ainda respirava. O cabo contou que o major susurrava, pedindo ajuda. "Me tira daqui, me tira daqui", teria sussurado o major ao colega policial.

Na audiência de hoje, também foram ouvidas as subtenentes Elenir Menezes de Souza e Cristina Socorro Oliveira.

Itamara tinha sido convocada, mas o advogado de defesa, José Roberto Rosa, pediu dispensa e o juiz acatou o pedido. O promotor que esteve presente na audiência foi Douglas dos Santos.

Major Valdeni Nogueira, morto a tiros pela esposa. Foto: Reprodução/Facebook

O CASO

No dia do crime, em 12 de julho de 2016, a briga entre os dois policiais militares começou porque o major Valdeni Lopes Nogueira, então com 44 anos, desistiu de viagem de férias do casal. O embarque estava marcado para o dia seguinte.

Segundo versão de Itamara, Valdeni não apresentou justificativa para a desistência e, durante a briga, começou a agredi-la com socos no rosto e braços.

Além das agressões, Valdeni Lopes teria dito que pegaria arma no carro e que atiraria na cabeça da esposa. Nesse momento, ela fez dois disparos contra ele. Os tiros acertaram a vítima nas costas.

A tenente-coronel Itamara Romeiro Nogueira, de 41 anos, tem vasta carreira na Polícia Militar e até posou para livro da instituição como representante de bons exemplos.

A policial também atuou como comandante nos Batalhões de Porto Murtinho, Jardim, Coxim e de Trânsito na Capital.

A oficial foi instrutora do Centro de Formação e subcomandante da Companhia Independente de Polícia Militar de Trânsito (Ciptran), onde presidiu diversos projetos educativos.

Depois do crime, ela permaneceu na ativa e no começo deste ano teve renovada a cedência para atuar no Tribunal de Justiça até dezembro de 2018.

Tenente-coronel Itamara Romero (a frente na imagem), que recebeu destaque em livro da Polícia Militar. Foto: Divulgação

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