Casos de violência e insegurança ocorrem diariamente em Campo Grande. Roubos, por exemplo, são registrados nas ruas, em pontos de ônibus e também dentro dos coletivos. Quem é vítima de um desses crimes pode ter não só o prejuízo financeiro, como sofrer alguma lesão e lidar com o "pós-crime", que exige uma mudança de rotina e um sentimento de falta de segurança e temor por ser novamente atacado.
Jovem de 21 anos que teve celular roubado de dentro de ônibus e correu atrás do ladrão, mas acabou sendo agredido com tijolada na cabeça, é uma dessas vítimas da violência na Capital que precisou, depois de recuperado, mudar sua vida. Ele falou com a reportagem do Portal Correio do Estado com a condição de não ser identificado e relatou a total mudança na rotina e o sentimento de medo após o crime.
No último domingo (26), o rapaz estava usando o celular dentro que faz linha Terminal Júlio de Castilho – Shopping Campo Grande, quando foi surpreendido por ladrão. O suspeito pegou o aparelho e, quando as portas do coletivo se abriram, fugiu. A vítima correu atrás e acabou sendo agredida com tijolada.
Já de alta do hospital e em recuperação da lesão sofrida, a vítima contou que foi a primeira vez que foi assaltado e em atitude não pensada correu atrás do bandido para tentar recuperar o aparelho celular. “Eu corri atrás porque foi no impulso. Quando vi já estava trocando soco com ele [assaltante], só depois fui pensar se ele estava armado”, afirmou.
A busca para recuperar o celular custou um ferimento na cabeça e no pescoço do rapaz. “Ele me deu uma tijolada na cabeça, mas eu não desmaiei, só vi um clarão. Depois disso dei um soco na nuca dele e ele ficou meio zonzo e correu”, relatou o jovem à reportagem.
Mesmo ferido, o rapaz pediu ajuda para um casal que passava de carro na rua. Desta vez, o ladrão foi perseguido pelos três e a vítima conseguiu recuperar o celular. O assaltante fugiu e até a publicação desta matéria não tinha sido preso.
Ainda segundo o relato da vítima, o suspeito estava com um grupo de jovens, cerca de 15 pessoas, aparentemente a maioria eram adolescentes. “Um amigo que ficou dentro do ônibus ligou para a polícia. A polícia chegou a abordar alguns no Terminal Julio de Castilho, outros pularam o muro. Depois foram liberados porque eram menores”, contou.
Devido ao medo de encontrar novamente o grupo, o rapaz, que chegou a ficar internado por dois dias devido aos ferimentos, decidiu mudar completamente a rotina para conseguir ir trabalhar.
“Eu tive que mudar de linha [de ônibus], fazer outro trajeto, mudar a roupa, não ir mais uniformizado, redobrar a atenção. Meu medo é que uns moram perto do meu bairro e vai ser tenso. Tenho que ter uma atenção muito dobrada, ficar atento para que nada aconteceça. Eu corri atrás. Devia ter deixado, mas eu corri atrás e agora posso estar correndo risco de morte”, desabafou.
FISCALIZAÇÃO NOS ÔNIBUS
Em 2014, a Polícia Militar chegou a montar fiscalização dentro dos ônibus que realizavam trajeto terminais-shoppings para coibir aglomeração de jovens e acionar os pais, em casos de menores de idades sem os documentos pessoais.
Além disso, a PM anunciou na época que também agiria para evitar roubos e furtos que chegaram a acontecer nos chamados 'rolezinhos' em shoppings de São Paulo. Fato chegou a gerar polêmica na época.
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