Cidades

OPERAÇÃO VASTUM

Empresário é preso em operação que investiga compra e venda de peças de avião

Munição foi encontrada na casa de Arlindo Dias Barbosa

Yarima Mecchi

18/12/2017 - 09h49

O empresário Arlindo Dias Barbosa, dono de uma empresa de táxi aéreo, foi preso na manhã desta segunda-feira (18) durante a Operação Vastum, desdobramento da Operação Ícaro, que investiga a compra e venda irregular de peças de aeronaves. A ação é comandada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deco).

De acordo com o advogado do empresário, José Belga Assis Trad, Barbosa foi preso porque policiais encontraram  munição na casa dele no Jardim Bela Vista. “O único motivo são as munições. Vou para a delegacia e pedir ao juiz para arbitrar fiança”, disse. Ele ainda criticou a operação porque nenhum dos investigados sabiam que estavam sob suspeita.

Esta fase da operação visa a busca e apreensão de documentos e além da casa do empresário, policiais também cumprem mandatos no Aeroporto Teruel. A polícia ainda não divulgou quantas diligências estão sendo feitas e se alguém mais foi preso.

A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (DERF) também está colaborando com a ação.

OPERAÇÃO

Em agosto a Deco deflagrou a Operação Narcos, terceira fase da Operação Ícaro, que desde 2015 apura manutenções irregulares de aeronaves em Mato Grosso do Sul. O alvo foi a empresa Dínamo Empreendimentos, localizada Vila Carvalho, em Campo Grande.

O proprietário, um piloto cuja a identidade não foi revelada, clonou os dados da aeronave Baron prefixo PT-WMV para despistar envolvimento com o tráfico de drogas após queda com cocaína na Bolívia.

Ao todo, foram expedidos três mandados de prisão preventiva, mas em um deles não foi possível encontrar o investigado, que agora está foragido. Houve também três mandados de condução coercitiva e sete de busca e apreensão, dentre os quais três eram de aeronaves.

Ao longo dos trabalhos de apuração foi descoberto que os mesmos mecânicos envolvidos na primeira fase da Ícaro, por operar de forma irregular em oficinas clandestinas, participaram das modificações para que o Baron pudesse transportar entorpecentes.

O esquema veio à tona no ano passado, quando a Dínamo denunciou à Polícia Civil o furto do avião Baron, avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão, de dentro do Aeroporto Teruel.

ETAPAS

A primeira etapa da operação foi deflagrada no dia 29 de outubro de 2015, junto com técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), por meio da denúncia feita pelo dono de uma oficina instalada no Aeroporto Santa Maria, em Campo GrandE, que algumas peças de aviões teriam sido furtadas de seu estabelecimento.

A segunda fase, intitulada de Asas do Pantanal, aconteceu em outubro do ano passado, junto com peritos e técnicos do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), nas buscas pelos destroços do avião que caiu em Miranda, matando o piloto Marcos Davi Xavier, de 36 anos. A suspeita era de que a aeronave tivesse apresentado problemas depois de passar por manutenção clandestina.

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