Cidades

cpi na Capital

Quase todos os alvarás de táxi e mototáxi têm irregularidades

Arquivo da Agetran sequer guardava CNH de alguns permissionários

Redação

20/12/2017 - 17h22

Os quase mil alvarás de táxi e mototáxi de Campo Grande apresentaram irregularidades, concluiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Táxi, da Câmara de Vereadores. O relatório final foi apresentado hoje à tarde. O documento também apresentou indicativo que a maioria das permissões está sob o comando de grupos familiares, medida que não seria ilegal, mas estaria atrapalhando processo democrático de autorização de trabalho.

O relatório tem 78 páginas e vai ser entregue ao Ministério Público Estadual nesta quinta-feira (21) para que o órgão possa analisar quais medidas devem ser tomadas. Para chegar à conclusão, a comissão ouviu 35 pessoas, em sete sessões de oitivas, ao longo de oito meses de trabalho.

O presidente da CPI, vereador Vinícius Siqueira (DEM), confirmou também que donos de alvarás deliberadamente usam os táxis para "alugar" a motoristas, terceirizando o serviço. "Alguns dos detentores de alvarás ouvidos durante as oitivas chegaram a admitir que jamais teriam dirigido o veículo enquanto taxista, mas possuem o alvará que é terceirizado por auxiliares”, afirmou o vereador.

Os integrantes da comissão também ressaltaram que funcionários da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) tiveram dificuldade em enviar documentação solicitada porque há desorganização no espaço da autarquia que é reservado para armazenar o histórico das permissões. Foi identificado casos em que nem havia cópia de documento de habilitação do permisisonário.

“Foi um relatório bastante impactante e vou contar algo, um relato de bastidores. Às vezes, as reuniões foram de muita tensão. O tema é ácido para a cidade, todos têm receio de enfrentar certos assuntos. Era uma pressão muito grande", disse Siqueira hoje à tarde.

ENCAMINHAMENTOS

Além do Ministério Público Estadual, o relatório produzido pela CPI vai ser levado à Agetran e ao Executivo Municipal para que providências de regularização sejam tomadas. A comissão não tem caráter punitivo, por isso só apurou fatos.

Mesmo assim, com caráter propositivo, os vereadores vão solicitar que a Prefeitura de Campo Grande modernize o sistema de armazenamento de documentos de alvarás.

“Antes ficava tudo jogado em caixas e agora pedimos que olhem com mais carinho para isso tudo, até para fortalecer o serviço e favorecer a concorrência com os aplicativos para o bem da população”, opinou Siqueira.

O relator foi o vereador Odilon de Oliveira Junior (PDT), que teve o relatório aprovado pelos integrantes da comissão, também formada por Pastor Jeremias (Avante), Júnior Longo (PSDB) e Veterinário Francisco (PSD).

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