O advogado Alessandro Faria, responsável pela defesa do professor Deivid Almeida Lopes, 38 anos, disse que pedirá na Justiça uma nova oitiva dos três adolescentes que prestaram depoimento sobre a morte do menino Kauan Andrade Soares dos Santos, 9, em crime ocorrido em junho do ano passado.
Na tarde desta terça-feira (30), acontece a oitiva do caso, no Fórum de Campo Grande. Lopes é acusado de matar por asfixia o menino Kauan enquanto o estuprava, em sua casa, no Coophavilla II, região sul. O corpo, não localizado até agora, teria sido esquartejado e jogado no rio Anhanduí.
As testemunhas confirmaram, em audiência realizada no dia 13 de dezembro de 2017, as acusações feitas por polícia e promotoria.
"Eles (testemunhas ouvidas anteriormente) mantiveram a versão sobre os abusos e sobre o dinheiro, isto está sendo mantido. O que está sendo diferente é o esquartejamento, essa cena de filme. São quatro testemunhas, mas nenhuma que vá mudar o processo, apenas para falar sobre a pessoa dele", disse o advogado.
Segundo Faria, o depoimento dos adolescentes foi contaminado por interferência dos policiais civis que cuidaram do caso, induzindo a confirmarem a versão especulada.
"As vítimas que teriam mantido essa versão do estupro seguido de morte, do esquartejamento e da ocultação de cadáver desmentiram essa versão. Eles foram ouvidos inúmeras vezes em sede inquisitorial e sempre mantiveram a versão que não tinha ocorrido nada disso, apenas as violências sexuais. Depois de um certo momento teriam assumido que teria esse crime mais grave. Só que na audiência anterior eles pegaram isso e falaram que foram ameaçados e talvez torturados pela polícia para que mantivessem essa versão", apontou o advogado.
De acordo com o próprio Faria, os trabalhos no tribunal começaram às 13h25. Estão sendo ouvidas testemunhas de defesa do professor, vizinhos e amigos para reforçar sua boa índole.
Lopes é acusado de um estupro de vulnerável, homicídio, destruição ou ocultação de cadáver e vilipendiar cadáver. Também é acusado de outros dois estupros de vulnerável, quatro estupros, seis induzimentos à prostituição, além de uma contravenção penal de molestar adolescente. Esses crimes somados, caso comprovados, podem gerar uma pena de pelo menos 86 anos de reclusão.