A Polícia Civil espera encontrar imagens de câmeras de segurança que possam auxiliar na identificação dos suspeitos que, na manhã de sexta-feira, feriram a tiros Salém Ferreira Vieira, de 36 anos. O homem foi atingido por sete disparos enquanto levava o filho, de três anos, a uma creche no Bairro Guanandi, em Campo Grande. Ele foi socorrido com vida e está internado na Santa Casa.
Segundo o delegado Gustavo Bueno Vieira, investigadores já fizeram análise preliminar nas imediações da Rua Jaime Ferreira Barbosa, onde os fatos ocorreram, mas não encontraram câmeras que possam ter registrado o ataque ou a movimentação dos autores. No entanto, a equipe deve voltar ao local para novas buscas. "Vamos analisar melhor. Estamos na fase de levantar informações sobre a autoria", disse o delegado.
Salém é o agiota que auxiliou nas investigações que levaram o ex-prefeito Gilmar Olarte à condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, porém, o delegado disse que ainda é cedo para atribuir a tentativa de homicídio às atividades da vítima. "Não podemos presumir nada por enquanto. Ainda aguardamos oitivas com testemunhas e familiares".
Conforme relatado, a vítima estava em um Renault com a esposa e o filho, quando ois homens em um veículo Voyage preto se aproximaram e atiraram várias vezes. Apenas Salém foi atingido, no tórax, clavícula, axilas e braço direito. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado para a Santa Casa,onde foi submetido a drenagem no tórax e cirurgias, permanecendo sedado.
CASO OLARTE
Salem é conhecido por ser uma das peças chaves na denúncia da operação que recebeu o nome de Coffee Break, um esquema de “compra e venda” de votos feito em 2014 para cassação do mandato do então prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP) e posse do vice Gilmar Olarte.
Em 2014, o agiota tentou invadir a igreja do ex-prefeito e pastor evangélico Gilmar Olarte, no Bairro Coophamat. Na ocasião, Salem desacatou dois guardas municipais na tentativa de “pegar o prefeito” durante um culto, mas foi contido. Em 2015, Vieira respondeu pelo crime de usura, que está ligado à cobrança excessiva de juros, situação típica da prática de agiotagem.