“O pobre vive só de teimoso”, diz a pensionista Emilce Bernal de Almeida, 77 anos, após sair da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul sem conseguir atendimento. Com limitações por conta da idade, como dificuldade para subir as escadas do prédio na Rua Antônio Maria Coelho, ela se agarra ao corrimão e desce lentamente de lado.
Pé por pé, a idosa terá de fazer o mesmo caminho novamente hoje, só que mais cedo. “A moça disse que não tem mais senha. Pediu para eu voltar mais cedo”, explicou. Desde novembro de 2016, ela procura ajuda jurídica para garantir um direito fundamental do cidadão à saúde, garantido na Constituição Federal.
“Queria era morrer, mas sou covarde de não conseguir tirar minha vida com minhas próprias mãos. A dor que eu sinto é tamanha. Vou ter que esperar e voltar”.
Histórias como a dela se repetem a manhã inteira em frente ao prédio. São centenas de pessoas nessa “via-sacra” todos os dias. O martírio começa antes mesmo do dia amanhecer. De madrugada, uma fila imensa, de virar a esquina, é formada para conseguir garantir uma senha de atendimento.
O comerciante Francisco Alves Filho, 59 anos, chegou ao local por volta das 5h30min. “Vim segunda-feira, mas não tinha mais senha. Pedi para a moça não fazer isso comigo, porque teria que pagar outro vale-transporte. Aqui tem que chegar umas 4h, para ter certeza de que vai ser atendido”.
A assessoria de imprensa da Defensoria Pública informou que todos os dias mais de 200 pessoas são atendidas pelo órgão – média de 10 a 15 atendimentos por defensor.
Também informou que está em desenvolvimento, pela área de tecnologia da informação, um sistema de agendamento, que será implantado como teste nos próximos dias. A ideia é dirimir o problema atual com as filas.
*Leia reportagem, de Gabriela Couto, na edição de hoje do jornal Correio do Estado.