Cidades

MEIO AMBIENTE

Podas agressivas em árvores serão investigadas pelo MPE

A concessionária Energisa faz o corte das espécies sob os fios

Redação

03/03/2018 - 07h00

Harmonia é o que pouco se vê nas árvores podadas em Campo Grande. A falta de manejo não traz apenas incômodo estético, mas pode prejudicar o desenvolvimento destas plantas. Diante disso, o Ministério Público Estadual (MPE) investiga os cortes feitos pela concessionária Energisa.

A empresa realiza o serviço com o objetivo de preservar a rede elétrica de energia, entretanto, os cortes agressivos deixam as plantas vulneráveis a quedas e pragas.

De acordo com o botânico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Geraldo Damasceno, as podas assimétricas, como as feitas pela concessionária, deixam a copa das árvores desequilibradas e aumentam a chance de queda. “O ideal é evitar as podas e fazer apenas se for estritamente necessário. Esse procedimento diminui o rigor das plantas e as deixam vulneráveis”. 

Em alguns casos, como o verificado pela reportagem do Correio do Estado na Rua Pernambuco e na Rua Brasil, a poda é radical, anulando até mesmo as sombras fornecidas pelas árvores. Os riscos de acidentes são ainda mais frequentes quando esses serviços são realizados em período de chuva. “Se necessário, é preciso fazer isso na época seca”, explica o botânico. 

Em janeiro deste ano, o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, José Marcos da Fonseca, afirmou que o convênio entre a prefeitura e a Energisa é revisto justamente pelas podas não serem feitas de forma ambientalmente correta.

Apesar de a poda e a remoção de árvores serem consideradas de responsabilidade dos proprietários dos terrenos, a concessionária costuma prestar esse serviço em locais onde a arborização pode comprometer a rede elétrica de energia. 

Outro fator que abre caminho para podas inadequadas é a falta de fiscalização da prefeitura. Há mais de um ano o município realiza o serviço de manejo da arborização urbana, incluindo remoções, com equipes próprias. O último contrato que previa a terceirização deste serviço encerrou-se em 2016. 

*Leia reportagem, de Tainá Jara, na edição de sábado/domingo do jornal Correio do Estado.

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