Cidades

Polêmica

Salineiro pede desculpas por discurso e afirma não ser contra indígenas

Vereador disse que polícia tem que "descer o cacete" em casos de bloqueio

Redação

08/03/2018 - 11h56

Depois da polêmica causada pelo discurso desta quarta-feira (7), o vereador André Salineiro (PSDB) pediu desculpas durante a sessão de hoje (8) alegando que excedeu e que não tem nada contra os povos indígenas. O parlamentar disse que é preciso usar da força quando há bloqueios em rodovias, como foi o caso de um protesto de indígenas na terça-feira (6).

“Eu gostaria de pedir desculpas pela minha fala com relação ao protesto por parte da comunidade indígena que bloqueou a BR-163. Não tenho nenhum compromisso com erro, e nenhum constrangimento em reconhecer que me excedi”, disso ao abrir a fala na tribuna.

Na quarta, o vereador disse que “o Governo tem que ter uma atitude mais rígida e mudar essa nossa lei que é muito fraca. Tem que chegar sabe como? Chegar com policiamento e, se não tiver conversa, tem que descer o cacete mesmo. Tem que apanhar porque senão eles vão revidar senão eles não vão mudar essa atitude e todos nós seremos prejudicados".

Já hoje, Salineiro salientou que não quis dizer que o problema era apenas o bloqueio dos indígenas, e sim todos. “Reafirmo que a luta pelos direitos de uns não pode acarretar na retirada de direitos dos outros! Essa metodologia de manifestações que vem acontecendo no nosso Estado e no nosso país precisa ser revista. Me referi aos protestos que tiram o direito de ir e vir das pessoas. Meu protesto não foi contra os índios, mas sim contra as interrupções recorrentes nas estradas brasileiras, provocadas por diversas categorias”, completou.

Ainda conforme o vereador, esse tipo de protesto não resolve nada e apenas atrapalha a rotina das pessoas. “O fato é que bloqueios não resolvem os problemas. Pessoas perdem seus compromissos. Soube que um senhor portador de câncer, com consulta marcada há três meses perdeu a consulta por causa do bloqueio, e por isso me exaltei”.

Salineiro propôs ainda um debate entre vereadores, movimentos sociais e a sociedade e finalizou o discurso pedindo desculpas novamente. “Novamente, quero que me perdoem pelos termos utilizados”, finalizou.

Indígenas ocuparam a Câmara Municipal nesta quinta-feira em protesto contra a declaração do vereador. O cacique da aldeia Córrego do Meio, em Sidrolândia, Genivaldo Antônio Campos, de 37 anos, declarou que eles aguardam orientações jurídicas para tomarem decisões sobre as declarações do vereador.

“Ele foi preconceituoso e infeliz na fala dele e como policial federal esqueceu que um dos parceiros dele matou um companheiro nosso e, nem por isso, nós agredimos os policiais”, disse o cacique ao lembrar do caso em que o indígena Oziel Gabriel foi morto na Fazenda Buriti, após confronto entre índios e a PF em 2013.

*Colaborou Maressa Mendonça

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