Cidades

Departamento Penitenciário

Assassinatos de presos levam medo a detentos da Lava Jato

Assassinatos de presos levam<br> medo a detentos da Lava Jato

Redação

18/03/2018 - 03h00
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Na última segunda-feira (12), o preso Marcelo Munhoz enrolou um lençol como uma corda e envolveu o pescoço de Jean Rodrigues Ferreira, de 22 anos. Sufocou o colega até ele cair morto.

O caso ocorreu na cela 403 da quarta galeria do Complexo Médico Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR).

A causa do crime foi a insatisfação dos detentos com a presença naquele pavilhão de alguém apontado como estuprador de crianças.

No dia seguinte, houve outro crime na mesma penitenciária. João Pedro Valero, de 53 anos, foi atacado com uma navalha pelos colegas da quarta galeria.

O motivo foi um comentário impertinente de Valero sobre as mulheres que dançam funk.
Havia ali quem é casado com uma funkeira. Valero morreu após o ataque.

Os dois crimes ocorreram a cerca de cem metros do prédio onde ficam os presos da Lava Jato, no mesmo complexo penal, levando preocupação a seus advogados e parentes.

Estão no momento no presídio o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB), o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ), o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-senador Gim Argello (PTB-DF).

Caso seja preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá engrossar a lista de detentos famosos do local.

Os presos da Lava Jato tiveram conhecimento sobre as mortes e estão apreensivos, segundo pessoas que têm contato com eles.

O Depen (Departamento Penitenciário) do Paraná garante que não há riscos para os condenados pelo juiz federal Sergio Moro.

"Não há contato entre presos de galerias distintas", diz nota do departamento.

PROBLEMAS
Com cerca de 700 presos, o CMP não tem problemas sérios de superlotação, uma vez que a capacidade é para 659 detentos. Mas há presos em situação irregular.

Ferreira, o morto por sufocamento, estava preso no interior paranaense, em São João do Ivaí, e veio para o CMP porque sua condenação previa medida de segurança, uma modalidade de reclusão para pessoas com problemas mentais que necessitam de tratamento psiquiátricos.

Ele não deveria estar em contato com presos comuns. No CMP, deveria estar na galeria 1 ou 2, onde ficam presos na sua situação.

Antes das mortes nessa semana, o último assassinato no complexo havia ocorrido em maio de 2017. Um homem de 19 anos foi morto dentro da sua cela, por um preso com quem ele dividia o local.
Recentemente, os agentes penitenciários do local passaram a adotar novas medidas de segurança.

Um procedimento novo é prender os presos pelos tornozelos com uma algema chamada de marca passo, quando os escoltam para uma sala de fisioterapia e atendimento com dentista que fica dentro do complexo, distante poucos metros da galeria em que vivem.

Segundo a reportagem apurou, Cabral e Cunha foram alguns desses presos que protestaram contra as algemas.

As mortes do início da semana também repercutiram entre agentes penitenciários, que relataram em grupos de aplicativos de mensagens que estaria aumentando a insegurança dentro do Complexo Médico Penal.

OUTRO LADO
O Depen (Departamento Penitenciário) do governo do Paraná disse, em nota, que "a motivação das mortes está sendo apurada por inquéritos policiais, junto à Polícia Civil, assim como, procedimentos administrativos junto à corregedoria. Não há contato entre presos de galerias distintas".

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