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Paralisação de caminhoneiros gera perdas de mais de R$ 5 bi à agropecuária, diz Ipea

Paralisação de caminhoneiros gera perdas de mais de R$ 5 bi à agropecuária, diz Ipea

Redação

05/06/2018 - 20h00
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A paralisação dos caminhoneiros gerou prejuízos de mais de R$ 5 bilhões ao setor agropecuário, exigirá em alguns casos mais de um mês para regularização do abastecimento e causará aumentos de preços para os consumidores nas próximas semanas, segundo nota técnica do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Produtores de leite, frango, suínos, bovinos e frutas contabilizaram um impacto negativo de mais de R$ 4 bilhões, deixando embarcar o equivalente a US$ 520 milhões, considerando somente o setor de carnes, um dos mais afetados, aponta nota técnica elaborada pelo órgão, que é vinculado ao Ministério do Planejamento.

Exportadores de soja, café, suco de laranja e açúcar – produtos que o Brasil lidera no mercado global – também sofreram com a greve, gerando preocupações sobre a capacidade de honrar os embarques.

“O que se observou durante a greve é que, em quase todos os segmentos, o produtor assumiu o prejuízo”, diz um trecho do documento.

“O que se percebeu foi a dificuldade de se manterem os estoques e os níveis de insumos, o que acabou gerando pressão de custos para o produtor, que teve prejuízos líquidos.”

Até o momento, não é possível saber todos os prejuízos causados pela paralisação de 11 dias, que desabasteceu mercados e fábricas, resultou num pacote de R$ 13,5 bilhões em benefícios aos motoristas e levou Pedro Parente a deixar o cargo de presidente da Petrobras.

De acordo com a nota técnica do Ipea, “será confirmado nos próximos dias se houve algum processo de desorganização da cadeia produtiva”, além de ser possível mensurar no detalhe o que houve com fornecimento de insumos e problemas fitossanitários, avalia a nota, assinada pelo diretor de Macroeconomia do instituto, José Ronaldo de Castro Souza Júnior.

Com a regularização na distribuição de alimentos, combustíveis e produtos regularizada, o governo reduzirá benefícios para levantar cerca de 4 bilhões de reais para manter a saúde das contas públicas ao mesmo tempo em que reduz impostos sobre o óleo diesel.

Outras medidas, como o tabelamento do frete e direcionamento de cargas da Conab, também geram críticas sobre seus impactos adverso na economia.

PREÇOS AO CONSUMIDOR

A análise do Ipea  mostra que nas próximas semanas o consumidor vai arcar com os prejuízos absorvidos até o momento pelos produtores agrícolas, com pequeno impacto de alta na inflação que deve ser revertido ao longo dos próximos meses. No front inflacionário, o IPCA está abaixo dos 3 por cento no acumulado em 12 meses desde maio do ano passado, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, não acredita que a crise mude os rumos da política monetária.

Os produtores de leite descartaram 280 milhões de litros do alimento, ao mesmo tempo em que reduziram a quantidade de ração para as vacas, o que vai exigir de um a dois meses para normalização, diz o texto do Ipea.

“Esse manejo implicará problemas para a retomada da produção nos mesmos patamares anteriores à paralisação”, diz o documento, citando a retirada da produção de animais com mais de 200 dias pós-parto.

“Dentro da indústria, o processo de fabricação de derivados lácteos pode ser comprometido por um tempo maior”, afirma o Ipea, ressaltando que o cenário “deverá afetar diretamente os preços do leite e derivados no mercado doméstico”.

O setor de aves e suínos registrou prejuízo direto de 3 bilhões de reais com a morte de 64 milhões de aves adultas e pintinhos —valor que já engloba perdas de 350 milhões de dólares com 120 mil toneladas que não foram exportadas.

“Em relação ao preço do frango no mercado doméstico, o que se observa é que ele já vinha apresentando queda desde janeiro, acumulando cerca de 20 por cento nos primeiros quatro meses do ano. O aumento de 30 por cento no preço nas gôndolas... irá recuperar essa queda”, diz o documento.

Os prejuízos de frutas e hortaliças totalizam 920 milhões de reais, com o descarte de mercadorias. “Como o ciclo das hortaliças é curto, em termos de abastecimento, já na próxima semana o consumidor terá o produto nos mercados na maior parte das cidades.”

As frutas mais atingidas foram mamão, uva, manga, goiaba e acerola.

O setor de carne bovina, por outro lado, deixou de embarcar 170 milhões de dólares, segundo o Ipea.

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