Cidades

NA CAPITAL

Crime de 1982 voltou em 2015 <br>a atormentar PM executado

Sargento aposentado foi inocentado após prisão por roubo no início de carreira

Redação

11/06/2018 - 13h45

Em 21 de agosto de 1982, o Correio do Estado destacava em sua edição a prisão de quatro policiais militares acusados de formarem uma quadrilha que vinha cometendo assaltos a estabelecimentos comerciais da Rua 14 de julho, região central da Capital. Entre os detidos, um nome chama a atenção: Ilson Martins de Figueiredo, na época um cabo de 27 anos, lotado na sede do Comando-Geral.

Exatos 35 anos e dez meses depois, Figueiredo voltou a ser manchete. Na manhã desta segunda-feira (11), o agora sargento aposentado, chefe de segurança da Assembleia Legislaiva de Mato Grosso do Sul, foi executado com mais de 35 tiros dentro de seu carro, um Kia Sportage branco, na Avenida Guaicurus, região sul da Capital. Os autores utilizaram munição de alta precisão, como a adequada a fuzis, com capacidade de perfurar veículos blindados.

Agora, depois de sua morte, que é investigada pela Polícia Civil, chama a atenção que há três anos Figueiredo e seus advogados tenham acionado a Justiça por uma situação curiosa: 32 anos depois, o crime voltou a constar nos antecedentes do PM. E ele queria a retirada da tal passagem de seu nome.

Na ação, movida em 5 de maio, os defensores pedem que o Governo do Estado reparem Figueiredo pelo erro cometido, visto que, segundo eles, em setembro daquele mesmo ano o PM foi colocado em liberdade, absolvido por falta de provas.

Em recorte tambem do Correio do Estado, anexado ao processo, é explicado que, de acordo com o depoimento de investigadores da Polícia Civil, "chegou-se a prender ex-soldados, que nada tinham a ver com o caso, mas que, em virtude dos marginais (sic) terem agido como se estes fossem, fez com que suspeitas fossem levantadas em torno dos ex-militares, que por sinal já devem ser recolocados em liberdade."

"Portanto, Excelência, tratou-se de um evidente equívoco, pois tanto o Autor quanto os demais policiais não tiveram participação no fato, ou qualquer envolvimento, tanto é evidente que eles foram imediatamente colocados em liberdade, não responderam qualquer processo e voltaram à Polícia Militar", diz a ação.

Ainda de acordo com os defensores, foi determinado na época que nenhuma anotação fosse feita, seja na ficha pessoal ou banco de dados em relação aos policiais.

"Assim, o fato e conduta ilícita está evidente, devendo o ente público representado pelo Estado responder pelos danos que tal conduta provocou e vem provocando ao Autor, bem como, proceder a apuração do caso, qual a motivação, quem determinou a inclusão. Os danos já foram causados ao Autor, o Estado deverá ser compelido a indenizar, não importando publicidade ou notoriedade do autor perante a sociedade, que por muitos anos foi policial exemplar, com inúmeras condecorações Com certeza, deve ter sido determinado pelas autoridades da época que nenhuma anotação fosse feita, seja na ficha pessoal ou qualquer outro banco de dados em relação ao Autor e demais policiais, o que será galgado aos autos mediante as provas legais", disse.

Figueiredo era conhecido por ser um dos primeiros policiais a integrar o então Grupo de Operações de Fronteira, atualmente chamado de Departamento de Operações de Fronteiras, em Dourados, quando trabalhou com o coronel da PM Adib Massad, conhecido por ser linha dura, e foi condecorado mais de uma vez pelas ações desempenhadas na rua. 

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