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Bois caem de navio e são resgatados no litoral norte de São Paulo

Bois caem de navio e são resgatados no litoral norte de São Paulo

Redação

15/06/2018 - 21h30

Tripulantes de um veleiro encontraram na manhã desta quinta-feira (14) um boi vivo que estava boiando no canal de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. 

Ele estava em um grupo de 5.000 cabeças de gado para ser embarcado no porto de São Sebastião --o local é o terceiro do país que mais exporta animal vivo no país, depois dos portos de Barcarena (PA) e Rio Grande (RS). 

Após o acidente, um grupo de ambientalistas e defensores dos animais fez um protesto em frente à Companhia Docas de São Sebastião, estatal responsável pelo porto, contra o transporte de cargas vivas.  “Basta de crueldade com os animais” e “Animais estão sofrendo” foram algumas das mensagens exibidas pelos manifestantes.

O animal foi içado pelos velejadores perto da praia da Armação, ao norte da vizinha cidade de Ilhabela. e rebocado até a praia das Cigarras, em São Sebastião. O boi resistiu por cinco horas às águas geladas do canal e às altas ondas provocadas por uma ressaca que atingia o litoral naquela manhã. De acordo com os velejadores, ele aparentava estar estressado e debilitado.

O navio “Aldelta”, de bandeira panamenha, tem a previsão de levar a carga viva para o Oriente Médio na noite desta sexta-feira (15). 

O boi foi localizado cinco horas depois de cair no mar, a uma distância de 10 km de onde o navio está atracado. Os tripulantes do veleiro acionaram a Defesa Civil de São Sebastião e representantes do porto. 

"Após o boi quase morrer na praia, começou outro tormento. Ele teve as quatro patas amarradas e foi içado para a carroceria de um caminhão", conta o ambientalista Rodrigo Polacow, que fotografou e filmou toda a ação. Segundo ele, o animal não apresentava ferimentos. "Ele chegou a ficar em pé por alguns minutos, mas, exausto, tombou e não conseguiu se levantar mais".

Antes de ser imobilizado na areia da praia, o boi avançou sobre um bote que estava na areia e quebrou o motor, segundo Polacow. "Ele estava bastante agressivo e chegou a avançar nas pessoas quando o caminhão se aproximou". 

No último dia 8, em outro acidente semelhante ao carregar uma embarcação, outros dois bois caíram no mar. 

"Ninguém sabe o que aconteceu com o boi. Não sabemos se ele de fato recebeu tratamento médico, conforme prometido, ou se foi simplesmente misturado aos demais", afirmou Polacow. 

Uma ação civil pública em tramitação na Justiça Federal de São José dos Campos (SP) tenta barrar o transporte de cargas vivas. O juiz federal Djalma Moreira e o procurador regional da República Sérgio Monteiro já deram pareceres contrários ao transporte de cargas vivas. A Assembleia Legislativa paulista analisa um projeto de lei que também quer acabar com a exportação de animais vivos pelos portos de São Paulo.

Como ocorre em Santos, uma das reclamações de moradores de São Sebastião é com o cheiro e o rastro de urina e esterco que deixam as carretas que transportam gado até os dois portos. Moradores e motoristas (que trafegam atrás das carretas) vêm se queixando do problema desde o ano passado, quando este tipo de transporte se intensificou.
 
“Temos que ficar presos em casa pois o cheiro é insuportável”, queixa-se o comerciante Rodrigo Demasceno, 31, que reside na Vila Amélia, bairro próximo à região portuária. 

Já a cabeleireira Ana Lúcia Prates, 43, diz que chega se sentir mal quando se depara com uma carreta à sua frente, enquanto dirige do bairro da Enseada, onde reside, até o centro, onde trabalha, num trajeto de 10 km. “Faço de tudo para não ficar atrás das carretas na estrada, pois o cheiro realmente é muito insuportável e sinto dores de cabeça terríveis”.

Em nota, a Companhia Docas de São Sebastião informou que não foi citada na ação civil pública. "Durante o transporte de cargas vivas por empresa privada (a TSS - Transcopa) nesta quinta-feira, no porto de São Sebastião, um animal (boi) caiu no mar e foi prontamente resgatado e reembarcado, com boas condições de saúde após avaliação de veterinário a bordo do navio", informou a estatal na nota.

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