Com pelo menos 100 pontos críticos para travessia de pedestres em Campo Grande, a prefeitura tem apenas uma licitação em andamento para construir quatro faixas elevadas. A implantação será na frente de três escolas, duas delas municipais nas avenidas Rádio Maia (Vila Popular) e Presidente Castelo Branco (Coronel Antonino) e uma particular na Rua Santana, além do cruzamento das avenidas Mato Grosso e Calógeras.
Mas para conseguir a melhoria no trânsito, a diretora da Escola Municipal Coronel Antonino, Néli Jane Mendonça, pediu a instalação da faixa elevada durante quatro anos, e só agora há sinais de que irá “sair do papel”. “Estou solicitando há algum tempo, e precisou de intervenção do Conselho da Região do Segredo, na Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano). Houve uma reunião lá, depois de eu muito solicitar”, explicou.
A escola atende 1,1 mil alunos com idade entre 4 e 11 anos, da pré-escola ao quinto ano de manhã e a tarde. “A rua é muito movimentada pois é entrada de bairro, linha de ônibus e ainda tem postos de saúde perto e o Corpo de Bombeiros. A gente tem atividades e projeto abordando o trânsito, e quando sai na porta da escola não tem ação pública”, disse Néli, que é diretora no local há 20 anos. “Só a pintura da via não é suficiente para garantir a segurança dos pedestres, é necessário a elevação para que os veículos diminuam a velocidade”, concluiu.
Desde o início do ano até agora 44 pessoas morreram no trânsito da Capital. A maioria das vítimas foi de motociclistas (28), seguidos pelos pedestres (9), condutores de veículos (3) e passageiros de carro (2) e moto (1).
“Nos casos envolvendo pedestres, há imprudência observada em ambos os lados, deles e também dos condutores. Mas quem está a pé geralmente não segue as leis de trânsito, não atravessa na faixa nem obedece à sinalização, coloca-se em perigo”, alerta o comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPtran), em Campo Grande, tenente-coronel Franco Alan Amorim.
“Especificamente nas escolas, nós fazemos policiamento, e a maioria dos condutores que desobedecem às leis são justamente os pais dos alunos”.
Sobre a instalação de faixas elevadas na frente das escolas, o comandante diz que a medida deve ser a última alternativa. “A maioria das escolas tem sinalização e fiscalização. A travessia elevada prejudica o trânsito e a circulação, embora seja um recurso com eficiência na proteção do pedestre, pois é preciso reduzir a velocidade para passar. Mas o importante é a sinalização básica e que as pessoas, condutores e pedestres, obedeçam”.
EXPLICAÇÃO
O diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Janine de Lima Bruno, explica que as áreas mais perigosas para trânsito de pedestres são em frente a escolas, creches e postos de saúde, sendo mais de 300 locais. Porém, para instalação das travessias, é avaliada a condição geral do tráfego. “Locais críticos são inúmeros, vários, mas nem em todos vamos colocar os elevados.
Consideramos quais pontos têm semáforos e outros equipamentos. Quando a rua é muito curta, não tem como o condutor ganhar velocidade, também excluímos”.
A licitação atual, com custo previsto de R$ 84.272,96, está em andamento desde 5 de julho. Foram entregues propostas de cinco empresas, mas apenas quatro delas foram habilitadas. Desde 2009, a Agetran investe neste tipo de equipamento; até 2012, eram apenas 45 instalados, mas a quantidade atual não foi informada pela agência.
A escolha dos locais é feita com base no fluxo de pedestres e na necessidade de redução da velocidade dos veículos para travessia, além do pedido das escolas. “Priorizamos ruas de bairros onde não há semáforos próximos às escolas, ou cruzamentos perigosos, quando há necessidade de redução de velocidade. Vamos expandir a implantação dos elevados assim que os recursos permitirem. De maneira geral, há necessidade próximo a escolas,