O Consórcio Guaicurus deve enfrentar dificuldades nas negociações do aumento da tarifa do transporte público deste ano. A discussão é feita em novembro e deve contar com mais critérios e exigências caso a concessionária suba o valor do passe que hoje é de R$ 3,70.
“Se for ter aumento o Marquinhos disse que vai ter que provar que merece”, disse pela manhã o líder do prefeito Marcos Trad (PSD), o vereador Chiquinho Telles (PSD). Ontem durante a entrega de 20 novos veículos o Chefe do Executivo ressaltou que “jamais faria aumento de imposto, taxa ou tarifa acima da inflação ”. Além de acrescentar que irá exigir os direitos da população.
Além de já saber da resistência que terá com a Prefeitura, o texto com um possível reajuste que pode ser enviada para a Câmara Municipal será votado com muita criticidade. “Temos que ver o custo-benefício disso. É incabível aumentar tarifas no momento que vivemos. Legalmente é um erro a formulação dos consórcios. Não se pensa a longo prazo e nem no consumidor”, disse o vereador Papy (SD).
Os parlamentares também vão avaliar a questão da isenção do ISSQN (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) do consórcio. Desde 2013 as empresas recebem o benefício e neste ano economizaram mais de R$ 10 milhões que seriam pagos ao município, sem uma contrapartida sequer.
“Não é o momento de reajustar. Temos que olhar a questão do ISSQN para poder ver se está compensando”, completou o vereador Ayrton Araújo (PT). Quem também é contra qualquer aumento no valor do vale transporte é Valdir Gomes (PP). “Ninguém está recebendo aumento e é muito pouco que se repõe. Tinha que dar um tempo e esperar estabilizar a política nacional”.
Além disso todos entram em consenso com relação a baixa qualidade do transporte público. Recebem reclamação de ônibus quebrados, falta de linhas para atender a demanda, superlotação e inexistência de ponto de ônibus. O presidente da Casa de Leis, João Rocha (PSDB), assegurou que irá pautar aquilo que é justo. “Todo reajuste vem acompanhado de uma planilha. Tudo tem que vir majorado de melhorias. O nosso sonho era poder deixar os carros em casa. Temos que pensar em mobilidade urbano. Mas tudo é um processo”, acrescentou.
RECLAMAÇÕES
Desconforto, atrasos, sucateamento, quebras e até acidentes. A rotina dos usuários do transporte público de Campo Grande não é nada fácil. “Demora demais. Sempre estão superlotados e falta ônibus. São cerca de 40 minutos diários esperando. Fora que estão todos velhos e estragados”, dispara o pesquisador Gilson Brittes.
Neli Ferreira,52 anos, move uma ação contra a concessionária. Ela teve o rosto fechado pela porta de um veículo e depois foi arremessada no ponto, localizado na Praça Ary Coelho. “Quebrei o cotovelo e perdi 75% da mobilidade do meu punho. Fiquei traumatizada”, conta ela. O caso ocorreu há um ano e meio e ela pediu indenização por danos de R$ 50 mil. A contraproposta da empresa foi de de R$ 15 mil, mas até agora não recebeu a reparação.
Nesta semana, uma passageira que não quis se identificar se machucou após uma freada brusca do ônibus que utilizava. “Eu caí e tive que ser levada pelo Corpo de Bombeiros. Sorte que não foi nada grave, mas estou roxa”.
Um ex-motorista, que preferiu apenas dar o primeiro nome Jean, relatou as dificuldades que passava. “Tinha que cuidar de seis espelhos, da população, do trânsito e dar troco. É muita função. Fora que tem ônibus vencido rodado, com muito mais de dez anos. A segurança do usuário, do motorista, da população está comprometida com esse transporte arcaico”.
CONSÓRCIO
O presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende, destacou ontem que o grande desafio para a negociação deste ano será adequar a oferta com a demanda. “Temos que tentar manter um equilíbrio econômico para continuar valendo a pena. Tivemos uma redução de 220 mil para 180 mil passageiros e por isso alguns horários foram ajustados”.
De acordo com ele as oscilações do preço do diesel não foram repassadas ao usuário e a planilha que será montada para fazer o reajuste deve passar por o pedido de aumento salarial dos funcionários, que têm data base em novembro.