Diferente do primeiro turno, quando até armas foram gravadas na cabine de votação, neste domingo (28), eleitores adotaram medidas criativas, sem infringir a legislação eleitoral, para manifestar o voto. Em Campo Grande, houve quem levou livros, carteira de trabalho e até a Constituição Federal para os postos de votação, enquanto outros foram vestidos de verde e amarelo.
O fotógrafo André Patroni, 29 anos, optou por levar a Carteira de Trabalho, além do livro “O Diário de Anne Frank”, escrito por Annelies Marie Frank ,entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.
“Eu acompanho alguns artistas no meu Instagram, acho que foi o Criolo que colocou que ele iria levar, e antes eu tinha visto o próprio Haddad falar numa entrevista na TV, e aí hoje realmente o pessoal atendeu essa ideia. Sobre o livro, acho importante relembrar porque mostra a criminalização de ideologias, de como aconteceu tudo na europa naquela época terrível que foi o nazismo e como surgem sinais desse facismo aqui no Brasil, de varrer quem é oposição, que é ativista, essas coisas todas terríveis”, disse.
Já a jornalista Ariane Monique da Silva Pontes, 30 anos, se manifestou por meio da roupa. "Vou votar de verde e amarelo porque hoje é dia da gente exercer a nossa cidadania. É um dia importante, um dia que eu faço a diferença", considera.
O casal Nivaldo Finelon, 34 anos, analista judiciário, e Natalia Finelon, 26 anos, vendedora, carregou a Constituição Federal para o local de votação. “Nós levamos a Constituição Federal, primeiro porque o momento do país nos inspira medo, e também como forma de demonstrar que nós estamos indo votar pela democracia, e que independente de quem vença as eleições presidenciais, que prevaleça a democracia e o que está escrito na nossa Constituição Federal", explicou.
A servidora pública Vera Furlanetto, 40 anos, também optou pela companhia do livro na hora do voto. O título escolhido foi “1964, cinquenta anos”, de Jorge Christian Fernandéz, Vandeleia Paes Leite Mussi e Viviana Diaz de Sol Queiróz.
“É porque esse livro é um registro de estudos realizados sobre as ditaduras em vários países da América Latina. E relata situações vivenciadas em diversas ocasiões. Por isso, quando alguém que a ditadura não existiu ou que ela deve ser reimplantada, é porque não tem contato com registros como desse livro.Os registros existem. Não querer conhecê-los já é uma questão pessoal. Por isso a minha defesa é pelo acesso ao conhecimento”, afirmou.
PERMITIDO
Conforme portaria publicada na última quinta-feira (25), no momento em que entrar na cabine de votação, o eleitor não pode “portar” o aparelho celular, máquina fotográfica, filmadora, equipamento de radiocomunicação ou qualquer outro aparelho semelhante.
Os objetos devem ficar retidos na mesa da sessão eleitoral, enquanto a pessoa estiver votando.
Propaganda eleitoral e manifestações que caracterizem boca de urna estão proibidas, assim como aglomerações, distribuição de impressos e volantes, e uso de alto-falantes e amplificadores de som.
Por outro lado, a manifestação silenciosa e individual é válida, como por exemplo, o uso de broches, bottons e adesivos. Camiseta e boné são aceitos se não fizerem parte de material distribuído por partidos. A famosa “colinha” também é permitida.