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Cotado para Educação se encontra com Bolsonaro, mas nega ter recebido convite

Cotado para Educação se encontra com Bolsonaro, mas nega ter recebido convite

Redação

22/11/2018 - 19h06
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O presidente eleito, Jair Bolsonaro, recebeu na tarde desta quinta-feira (22) o procurador Guilherme Schelb, cotado para assumir o Ministério da Educação.

O encontro ocorreu na Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República, e durou quase três horas.

Ele deixou o local próximo às 17h e negou que tenha sido convidado por Bolsonaro. De acordo com o procurador, a possibilidade de um segundo encontro ficou em aberto.

Schelb não quis dizer se aceitaria deixar a carreira no Ministério Público Federal para assumir o cargo no Executivo, caso o convite seja feito.

"Foi uma conversa de apresentação onde eu pude expor ao presidente Bolsonaro a minha análise sobre as questões centrais da educação brasileira que devem ser enfrentadas com a máxima urgência", disse.

Após reação de evangélicos à indicação de Mozart Ramos para a pasta da Educação, na quarta-feira (21), o presidente eleito disse que o ministério não estava definido e anunciou que conversaria com Schelb nesta quinta. 

O gesto é um aceno à bancada evangélica, que apoia a indicação de Schelb para o cargo.

Ele disse ter defendido a Bolsonaro, no encontro, o cumprimento das leis para que o professor tenha segurança jurídica e para que haja segurança nas escolas. 

O procurador criticou a educação sexual nas escolas, bandeira evangélica e defendida pelo eleito.
"Eu não posso dar tarefa de casa, como tem sido feito, para criança de 8, 9 anos aprender discussão de gênero, o que é sexo grupal, como dois homens transam? O que é boquete? Isso é uma discussão de gênero, é uma violação da dignidade da criança", afirmou.

Defensor do projeto Escola Sem Partido, em discussão na Câmara, ele disse que a medida não seria necessária se houve cumprimento das leis.

"Sala de aula não é uma masmorra. Sala de aula tem que ser transparente. Nós queremos transparência e democracia", afirmou.

Segundo ele, os professores descumprem as leis, não por maldade, mas muitas vezes por desconhecimento. 

"No nosso contexto atual, os ativistas que utilizam a sua posição de professor para fazer doutrinação são todos da esquerda, isso é um fato. O escola sem partido é a previsão de respeito aos alunos e aos professores e proíbe qualquer proselitismo, de conservador, de esquerda, de direita, de religioso", afirmou.

Ele disse que professores também não devem utilizar a sala de aula para manifestar aos alunos sua fé.

O procurador é evangélico da Igreja Comunidade das Nações e próximo ao pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Malafaia é amigo de Bolsonaro e defendeu a indicação do procurador para o cargo. 

"O Guilherme Schelb encarna o pensamento ideológico dessa bancada [evangélica]. Por isso que ele tem o apoio lá de quase todos", disse o pastor à Folha.

O procurador conta também com a simpatia do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), um dos líderes do grupo de parlamentares.

"Não fomos consultados ainda. É um nome que agrada, mas se quiserem que a gente avalie se agrada, temos que nos reunirmos. Com quem eu converso eu tenho ouvido que ele é alinhado com o que a gente quer", afirmou à Folha.

Na quinta, Sóstenes reagiu à divulgação de notícias sobre a indicação de Mozart, que é diretor do Instituto Ayrton Senna, afirmando que ele é 'esquerdista'.

Bolsonaro tinha um encontro marcado com o educador nesta quinta, mas houve um cancelamento após a reação dos evangélicos.

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