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Macron vê Bolsonaro como obstáculo a acordo entre União Europeia e Mercosul

Macron vê Bolsonaro como obstáculo a acordo entre União Europeia e Mercosul

Redação

29/11/2018 - 21h00
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A primeira reunião bilateral do presidente argentino, Mauricio Macri, antes da cúpula do G20 em Buenos Aires foi com o presidente francês, Emmanuel Macron, na Casa Rosada (sede do governo). O mandatário francês adiantou que o futuro da negociação do acordo entre Mercosul e União Europeia depende da posição do novo governo brasileiro, de Jair Bolsonaro, que assume no próximo dia 1º de janeiro.

"Houve uma mudança política importante no Brasil recentemente. Portanto, o Mercosul tem que se posicionar com relação ao impacto dessa mudança", disse a jornalistas após o encontro com Macri.

E acrescentou: "Não sou a favor de que se assinem acordos comerciais com potências que não respeitem o Acordo de Paris. Tenho pedido a minhas empresas que se adaptem e não assinarei tratados com países que não o façam ou não o respeitem."

A cúpula do G20, que reúne os líderes das principais economias do mundo, acontece nesta sexta (30) e sábado (1º).

A declaração complica ainda mais o já demorado acordo, que anda lento justamente porque a França tem sido o país europeu que mais colocou obstáculos com relação ao acordo com o bloco sul-americano, devido à pressão de seus produtores agropecuários.

Macron, por outro lado, tem sido o mais relaxado entre os líderes que já chegaram ao país (também já estão em Buenos Aires o príncipe saudita Mohammed bin Salman e o mexicano Enrique Peña Nieto).

O francês, depois de ter jantado na noite anterior numa "parrilla" (churrascaria), visitou nesta quinta-feira a famosa livraria El Ateneo, na avenida Santa Fe, encontrou-se com a viúva do escritor Jorge Luis Borges (1899-1986), Maria Kodama, e caminhou pelas ruas agitadas da Recoleta, driblando a reforçada segurança para tirar selfies com os que se aproximavam.

Seu bom humor conseguiu nublar a lembrança de sua chegada, na noite de quarta-feira (29), em que uma falha de protocolo fez com que desembarcasse longe da vice-presidente argentina, Gabriela Michetti, que é cadeirante. Com isso, ambos demoraram um pouco a se encontrar na pista do aeroporto. Sempre sorridente, Macron a esperou para cumprimentá-la, mas Michetti reclamou com a equipe de organização do G20 pela gafe de que acabou sendo vítima.

Por sua vez, Macri agradeceu a Macron por ter apoiado o acordo da Argentina com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que está emprestando ao país US$ 57 bilhões. Macron acrescentou que a França também aportará EUR 319 milhões para ajudar a Argentina em sua política de ajustes e com a meta de atingir o déficit fiscal zero em 2019. Macron ainda disse que apoiaria a candidatura da Argentina para que entre na OCDE (entidade que reúne países desenvolvidos). 

Os dois mandatários e suas esposas, Brigitte Macron e Juliana Awada, almoçaram juntos numa ilha do rio Tigre, próxima a Buenos Aires.

Antes de embarcar, nos EUA, o presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu cancelar a bilateral prevista com o líder russo, Vladimir Putin, devido à crise entre Moscou e a Ucrânia desde o sequestro de navios ucranianos e a prisão de oficiais deste país. "Espero que um encontro possa ser realizado logo após de passado esse episódio", disse o norte-americano, que deve chegar a Buenos Aires na madrugada de sexta-feira (30). O hotel onde ficará instalado, o Four Seasons, na Recoleta, já estava todo cercado e mesmo moradores tinham de se identificar para poder transitar pela rua.

Não muito longe dali, no hotel Alvear, devem hospedar-se o brasileiro Michel Temer, que chegaria por volta das 20h (21h) em Brasília, e o próprio Putin.

A agenda do brasileiro, porém, será magra. Na noite desta quinta, janta com o embaixador brasileiro na capital argentina e, na sexta-feira (30), fará apenas duas reuniões bilaterais, com Singapura e com Austrália.

Na praça diante do Congresso houve manifestação contra o G20, que contou com um Donald Trump inflável. A chuva que castigou a capital argentina, porém, atrapalhou um pouco que uma grande massa se juntasse.

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