Cidades

MPF QUER ULTIMATO

Famílias indígenas de reserva em Dourados sofrem com falta de água

Acordo garantiria fornecimento regular de água na reserva

Aline Oliveira

18/12/2018 - 16h46

O Ministério Público Federal (MPF) de Dourados solicitou à Justiça que faça um ultimato para a prefeitura de Dourados e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) cumprirem o acordo firmado em abril de 2014, de garantir o fornecimento regular de água para cerca de 14 mil pessoas que moram na reserva indígena do município, considerada a maior do país.

Conforme informado pelo MPF nesta terça-feira (18), o acordo foi firmado depois de ação civil pública da instituição que previa mapeamento e ampliação da rede de abastecimento da comunidade. Além disso, a Justiça determinou que a Prefeitura de Dourados e a União encaminhassem informações sobre as obrigações assumidas e já cumpridas. 

Coube a Sesai informar a respeito de eventual acordo de cooperação técnica com a companhia de saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) para a promoção do mapeamento da rede de distribuição dos sistemas de abastecimento de água das aldeias Bororó e Jaguapirú, que compõem a Reserva. 

Diagnóstico da situação constatou nível abaixo do necessário para o consumo humano nas casas da reserva, além de diversas famílias sem acesso à água potável. A falta de abastecimento regular leva os indígenas a se valer de fontes insalubres, desde córregos até poços improvisados, que terminam por comprometer a saúde da população.

Em março de 2018, uma vistoria do MPF constatou que o problema não cessou. A rede de abastecimento é mínima e os indígenas improvisam encanamentos até as residências. Segundo manifestação judicial do MPF, parte da verba destinada à manutenção da rede de abastecimento foi utilizada para a perfuração de poços e instalação de caixas d'água. Ainda assim, a água não chega a diversos pontos da comunidade.

SITUAÇÃO DESOLADORA

A Reserva de Dourados é a maior do país, com cerca de 14 mil indígenas de diversas etnias vivendo em situação precária. Para o MPF, a população é tratada com “indiferença hostil”, fundada, na maioria das vezes, em motivos discriminatórios. 

“A precariedade da segurança pública, educação deficitária, alimentação e habitação inadequadas, carência de projetos voltados para a geração de renda e emprego e a ausência de políticas públicas para os indígenas refletem no alto índice de violência, consumo de drogas e álcool, mortalidade infantil e os alarmantes índices de homicídio e suicídio”. 

A omissão do Poder Público acaba por refletir nos índices de violência. Enquanto a taxa brasileira foi de 9,6 suicídios por 100 mil habitantes, entre a etnia Guarani-Kaiowá a taxa de suicídios, em 2015, foi de 89,92 por cem mil pessoas, número que não encontra paralelo nem entre os países com os maiores índices do mundo. A maioria das mortes ocorreu na faixa dos 15 aos 29 anos.

Para o MPF, apesar dos números mostrarem a necessidade de políticas específicas voltadas para os indígenas, “os órgãos estatais participam de verdadeira disputa judicial para verem suas responsabilidades excluídas”.

*Com informações da Assessoria do MPF/MS

 

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