Cidades

CASO NÃO ESCLARECIDO

Irmã caçula é só saudade em passeata que pede solução da morte de Gabrielly

A família organizou o movimento para pedir justiça e manifestar o desejo de que o caso não fique impune

Redação

06/01/2019 - 12h45

Munida de uma sombrinha de frevo e um sorriso encantador, a pequena Maysa responde com os dedinhos ter 3 anos. Irmã de Gabrielly, a ingenuidade da menina brincando pela rua durante a passeata contrasta com a tristeza nos olhos dos pais. Neste domingo (6) fez um mês que a filha do meio de Carlos e Beatriz morreu na Santa Casa, depois de fortes dores pelo corpo e um episódio de violência. 

Maysa chama pela irmã Bibi até hoje e, segundo a mãe, a pequena sabe que ela morreu. "Todo dia, toda hora ela chama. A Maysa fala: 'mamãe, porque a Gaby morreu? E eu falo que ela virou uma estrelinha", conta a dona de casa Beatriz Ximenes.

Na residência da família, no bairro Nova Lima, tudo o que Maysa come, um pedacinho fica para a irmã. "Ela guarda e diz que a Bibi vai voltar", explica a mãe. 

O caso segue sem esclarecimentos. A Polícia aguarda laudos que indiquem a causa da morte da menina. Gabrielly tinha 10 anos e, teria sido agredida com mochiladas uma semana antes de morrer, por duas colegas na porta da Escola Estadual Lino Villachá, no Nova Lima. Mesma escola onde a passeata desta manhã terminou.

A família organizou o movimento para pedir justiça e manifestar o desejo de que o caso não fique impune. Cerca de 70 pessoas entre parentes e amigos participaram. 

O sonho de Gaby era ser médica e o que fica agora é a dor de não saber o que teria matado a menina. "Até agora, nada... Não saiu laudo, não saiu nada", comenta Beatriz. 

A concentração começou em frente à Igreja Batista do bairro, onde a família frequenta e contou com a presença de dois pastores que disseram que todos estavam ali para agradecer pela vida de Gabrielly e pedir por paz.

"Eu não posso culpar ninguém, porque não sei ainda, mas alguém tem que se responsabilizar, não é?" clama a mãe que até hoje não acredita que isto aconteceu dentro de casa. 

Tia de Gaby, Clarice Costa de Souza, defende que a menina tinha uma vida normal e muita saúde. "Foi depois daquela mochilada que aconteceu tudo isso com ela ou foi, sei lá, mal atendimento", acredita. Outro desabafo dela é em relação à falta de apoio. "As meninas [que teriam dado as mochiladas em Gabrielly] passaram por psicólogo, meu irmão e minha cunhada, que são as vítimas e que mais precisavam, nem a escola procurou por eles". 

Amigas de Gaby, Beatriz e Evellyn estavam de branco na passeata. As duas não acreditaram, de início, na morte tão precoce de Gabrielly. "Eu não acreditei, aí minha mãe ligou para a mãe dela que começou a chorar, aí que eu chorei", conta Beatriz Alves de Carvalho, de 9 anos. As duas estudavam juntas desde o pré.

Pai da Gaby, Carlos Costa de Souza tinha lágrimas nos olhos. À imprensa ele repetiu as palavras que ouviu da filha, quando a encontrou caidinha no chão próximo à escola. "Pai, três meninas que bateu em mim". 

O CASO - Gabrielly teria sido agredida por duas colegas. Em seguida ela foi levada, passando de Upa em Upa, até parar na Santa Casa, onde sofreu várias paradas cardíacas.

Para a família, os erros começaram logo no atendimento. Acionada, a ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) teria demorado mais de uma hora e meia para chegar. O motivo, contaram aos familiares: a ausência de maca, retida com outra equipe.

Levada à Santa Casa, Gabrielly ficou em observação e recebeu alta sem, segundo os familiares, receber qualquer tipo de medicação ou exame mais aprofundado. Liberada mesmo com reclamando de constantes dores nas pernas e virilha, Gabrielly foi levada novamente à Unidade de Pronto Atendimento do Coronel Antonino, onde recebeu uma dosagem de dipirona, na tentativa médica de suavizar as dores.

Gabrielly foi encaminhada então à Central de Especialidades Médicas da prefeitura no dia seguinte. Já dizia não sentir as pernas e tinha dificuldades em andar. Sem nova melhora, a menina voltou à Santa Casa, foi quando teve uma parada cardíaca e morreu.

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