Cidades

RIO TAQUARI

Governo de MS pode receber recursos para recuperação do rio Taquari

Assoreamento do curso d'água afetou matas ciliares e fauna

Aline Oliveira

25/01/2019 - 15h02

Uma das agendas do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), nesta sexta-feira (25) em Brasília (DF) envolveu uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

Em pauta  foi acordado, o compromisso da pasta federal em viabilizar a recuperação da Bacia do Rio Taquari, utilizando parte dos R$ 6 bilhões existentes no caixa da União, relativos a dívidas de quem cometeu crimes ambientais. 

“Queremos o projeto definitivo para recuperação de um dos maiores desastres ambientais do Brasil, que é o assoreamento do Taquari. Tenho certeza que teremos andamento produtivo de ações e parcerias”, enfatizou o governador Reinaldo Azambuja. 

Segundo informações da administração estadual, a proposta é aproveitar os projetos  já apresentados à pasta no ano passado para que o Ministério publique o edital do Programa de recuperação da bacia do Rio Taquari. O texto vai prever, entre outras coisas, linhas de crédito subsidiadas aos produtores afetados pela degradação ambiental, garantindo além da recuperação ambiental, a reparação social e a parte econômica.

A intenção é aproveitar R$ 6 bilhões relativos a dívidas com a União de quem cometeu crime ambiental. Parte desse valor pode ser usada no programa de recuperação do Taquari, uma vez que os devedores de multas ambientais vão poder compensar a dívida, obtendo um desconto de até 60% no valor devido.

ASSOREAMENTO 

O rio, que nasce em Mato Grosso e percorre mais de 800 km entre o planalto e a planície, no sentido leste-oeste, arrombou a sua margem esquerda, na localidade do Corixão, e já inunda pelo menos uma dezena de fazendas de gado, com as águas avançando para o sul mesmo no início da seca, que se prolonga até o fim do ano.

O efeito devastador do Taquari, um dos principais afluentes do Rio Paraguai e protagonista do maior desastre ambiental do Pantanal, já inundou permanentemente 1,5 milhão de hectares na sub-região do Paiaguás (nordeste de Corumbá), nos últimos 40 anos.

O Taquari perdeu seu curso devido ao assoreamento natural do leito, que aumentou dez vezes com a destruição de suas matas ciliares no planalto (norte do Estado), a partir dos anos de 1970, com a monocultura da soja. De lá para cá, se discute sua recuperação, gerando embates jurídico e ecológico, sem uma solução em comum.

*Colaborou Silvio de Andrade

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