Cerca de 80 profissionais da área de enfermagem participaram de manifestação na manhã deste domingo, na Praça do Rádio Clube, na região central de Campo Grande. O objetivo é revindicar melhores condições de trabalho, entre elas a redução da carga horária para 30 horas semanais. São mais de 23 mil profissionais no estado, atuando na iniciativa pública e privada.
Enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares e estudantes participaram do ato. O presidente do Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Sebastião Júnior Duarte, ressalta que a mobilização é nacional, já que os problemas enfrentados são comuns aos profissionais da área. Segundo ele, o deficit de vagas está entre os fatores que levam os profissionais a exaustivas horas de trabalho. “Apenas no Hospital Regional, por exemplo, temos um deficit de 200 profissionais da enfermagem”.
Estudante do último ano do curso técnica de enfermangem, Angela da Silva, 36 anos, afirma que apesar da grande expectativa em exercer a profissão, ela sabe que as dificuldades são inúmeras. “Uma profissão que cuida do nascer e do morrer do ser humano não ter um piso salarial é absurdo”.
A falta insumos, especialmente nas instituições públicas de saúde, é outro desafio enfrentado pelo profissionais. A técnica de enfermagem Pauliane Omena, 29 anos, chegou a se emocionar ao lembrar das condições de trabalho enfrentadas diariamente. “Sofremos com a precariedade do setor. Temos dificuldade para exercer nossa profissão. As vezes, não conseguimos atender porque falta material”.
SAÚDE NO TRABALHO
Conforme o presidente do Coren-MS, a saúde tanto física quanto mental dos profissionais é diretamente afetada pelos poucos investimentos na área da saúde. Além de agressões, os técnicos e enfermeiros enfrentam problemas como depressão. “É uma categoria que está ficando doente e sem políticas suficientes para dar respaldo”.
A polícia investiga dois casos de suicídio envolvendo profissionais da área da enfermagem ocorridos apenas no mês de janeiro deste ano, na Capital. Na última sexta-feira, o corpo do técnico de enfermagem William Franco, de 36 anos, foi encontrado no banheiro próximo a unidade do Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) da Santa Casa. Ele havia acabado de voltar de uma licença médica concedido devido a tratamentos psiquiátricos.
No início do mês, a enfermeira Janaína Silva e Souza, de 39 anos, foi encontrada morta na residência onde morava, na Vila Flório. Diante da suspeita de suicídio, colegas de profissão aproveitaram para denunciar nas redes sociais cargas horárias exaustivas e apontaram como um dos fatores que pode ter contribuído para depressão de Janaína, uma vez que ela teria compartilhado uma mensagem no grupo do WhatsApp no dia da morte, com os seguintes dizeres: “raiva dessa vida hoje nesse plantão”.