A sobrecarga dos setores da urgência e emergência e a falta de insumos no Hospital Universitário Maria Aparecida Predrossian (Humap) e no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) levou alguns pacientes a serem transferidos para realização de cirurgias para Santa Casa de Campo Grande. De acordo com coordenador do setor de Urgência e Emergência da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) , Yama Higa, a situação tornou-se recorrente desde o final do ano passado.
As tranferências interhospitais são feitas pelos núcleos internos de regulação. No caso de cirurgias, a medida é autorizada apenas em pacientes que deram entrada nas unidades pelo pronto atendimento e já estão internados. Este tipo de situação ficou mais recorrente desde o final do ano passado. “As cirurgias cardíacas, por exemplo, que geralmente precisam de algum aparelho, enfrentam dificuldades para serem realizadas nessas unidades e é necessário a transferência.”, explicou Higa.
A destinação à Santa Casa ocorre pela a instituição ter condições de compras diferentes. Por ano, são destinados ao hospital R$ 270.844.856,50 por atendimentos prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
INVESTIGAÇÃO
A falta de insumos no HR não atinge apenas o setor de cirurgias, mas até o tratamento de quimiotarapia pro falta de medicamentos. Em dezembro do ano passado, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), deflagrou a Operação Reagente, que investiga prejuízos de, pelo menos, R$ 3 milhões na compra de produtos.
Como consequência das suspeitas de desvios, na semana passada, a Justiça acatou o pedido liminar proposto pelo MPE, que determinou que o Estado e a FUNSAU/MS (Fundação Serviços de Saúde) abasteçam, no prazo de 30 dias, as farmácias do HR, sob pena de multa diária de R$ 50 mil por dia.
O recebe por mês recursos da ordem de R$ 25 milhões, sendo R$ 19 milhões para folha de pagamento e R$ 6 milhões para custeio. A administração do hospital não se manifestou sobre as transferências de pacientes.
SOBRECARGA
O HU confirmou apenas um caso de transferência por falta de insumos, registrado entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano. A cirurgia ortopédica foi cancelada por falta de uma placa específica necessária para o procedimento. Nenhum empresa participou da licitação da compra do utensílio.
No entanto, conforme a administração do HU, a devolução de pacientes à regulação por falta de vagas na emergência é frequente. Atualmente, 11 pacientes estão internados na área vermelha cuja capacidade de internação é de 7. Na área amarela, todas as oito vagas estão ocupadas. Com capacidade para três vagas, a área verde possui hoje 31 pacientes.