A obra do anel viário de Campo Grande, que deve ligar a MS-010 (saída para Rochedinho) e a BR-163 (saída para Cuiabá), terá atraso de, pelo menos, mais um ano de acordo com informações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em Mato Grosso do Sul. O trecho deveria ser finalizado até maio deste ano, mas já tramita em Brasília (DF) o pedido de prorrogação do prazo de entrega para 2020. Desde que teve início em 2011, ainda na gestão de Nelsinho Trad, a obra já passou por diversas reavaliações e também paralisações para corrigir valores de aditivos do contrato. Inicialmente, a entrega definitiva deveria ocorrer em julho de 2014. Com o novo prazo, a obra deve durar quase 10 anos.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Público (Sisep) informou que o novo prazo de entrega será em maio do próximo ano, mas com a possibilidade de término em dezembro de 2019. Mesmo assim, o atraso seria de pelo menos sete meses. “Acho que fica pronta até dezembro deste ano. Já estão em andamento as rotatórias da MS-080 (saída para Rochedo) e MS-010. A da BR-163 está em fase de aprovação”, explicou o secretário-adjunto da Sisep, Ariel Serra.
“Era para entregar agora em maio, mas deve ficar para dezembro. O atraso é em função de alguns problemas envolvendo a CCR, concessionária responsável pela BR-163. Quando foi feito o projeto não existia a concessão e agora mudaram algumas coisas como a rotatória que precisa ser feita na rodovia”, explicou o superintendente de obras da Sisep, Francisco Martinez.
A reportagem do Correio do Estado percorreu o trecho final em obras, próximo ao Bairro Nova Lima, até a MS-010, e encontrou três frentes de trabalho. O serviço realizado era de instalação de canaletas para o escoamento da água. No encontro com a rodovia estadual, aparentemente, muito ainda precisa ser feito, apesar da Sisep informar o contrário. “A rotatória da MS-010 está quase concluída, ali a terraplangem é rápida. E na MS-080 está bem adiantada”, disse Martinez.
RECURSOS
As rotatórias que precisam ser construídas são os pontos de entrave da obra e também responsáveis pelo encarecimento dela. Para tentar agilizar a entrega, em setembro do ano passado o então ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun, prometeu enviar recursos extras de R$ 9,5 milhões. Mas, seis meses depois, a verba da União ainda não chegou. “Os R$ 9,5 milhões não estão liberados”, disse Serra. “Está encaminhado, mas ainda não recebemos. Teoricamente não está na conta e ajudaria bastante se chegasse”, disse Martinez. Em nota, o Dnit informou “que os recursos para complementação da obra do Anel Viário de Campo Grande estão previsto para disponibilização em 2019”, sem especificar datas.
Por conta das adequações, o valor total da obra deve aumentar, mas a Sisep ainda não divulgou a nova planilha. Até o fim do ano passado a confirmação era de que para ser concluída, a obra deverá consumir total de R$ 46,568 milhões - já com os R$ 9,5 milhões em recursos da União, além de R$ 950 mil da prefeitura, que representa 10% de contrapartida.
O projeto passou por ajustes para contemplar a construção de colchões drenantes, que não estavam previstos na proposta original. Também foi preciso alterar os projetos das rotatórias que foram mudadas, por exemplo, para se adequar a duplicação da MS-080. As alterações exigiram um aditivo de R$ 1.603.513,62 no convênio. Do valor total previsto anteriormente para investimento, R$ 26.440.565,17 foram de responsabilidade da União, enquanto o município entrou com a contrapartida de R$ 2.827.949,02, basicamente destinada às despesas com desapropriações.
O trecho em obras atualmente faz parte de um total de 24 quilômetros - dos quais 18 estão concluídos. Para a retomada da obra, a administração municipal disse que prorrogou o convênio vencido em maio de 2017, reprogramou o trabalho com aval do Dnit para inclusão de novas obras e que também teria concluído as últimas desapropriações.
ANDAMENTO
O serviço foi interrompido há quatro anos, quando 87,30% da terraplanagem tinha sido concluída, 63,55% da pavimentação e 72,97% da drenagem, além de terem sido concluídas as duas pontes planejadas (sobre os córregos Botas e Ceroula). Entre a MS-080 (saída para Rochedo) e a MS-10 (saída para Rochedinho), 12 quilômetros estão prontos, falta asfaltar apenas 1,2 quilômetro. O trecho seguinte, da MS-10 a BR-163, tem 2,5 quilômetros e seis precisam ser concluídos.