Cidades

NO INTERIOR

Venezuelanos escolhem Dourados para recomeçar

Em crise, país enfrenta insegurança, violência, falta de comida e remédios

Redação

15/04/2019 - 09h00

Diego Rivera, 30 anos, era policial. Gustavo Díaz, 52, trabalhava na exploração de petróleo, enquanto Rodney Solís, 31, era motorista. Os três têm em comum apenas a nacionalidade venezuelana e a oportunidade de recomeçar a vida em Dourados, a 230 quilômetros de Campo Grande.

Rivera e Solís fazem parte do grupo de 130 refugiados e migrantes venezuelanos deslocados de Boa Vista (RR) para a cidade no interior de Mato Grosso do Sul, no dia 24 de março. O processo de interiorização faz parte da Operação Acolhida, do Governo Federal.

“Eu era policial, mas me vi em um ponto que precisei deixar o emprego para emigrar. Com meu salário, se comprava o arroz, não comprava a carne. Se comprava a carne, não comprava o arroz”, conta Rivera, que deixou a esposa grávida e o filho de três anos na Venezuela. Ele planeja trazê-los para o Brasil.

Com duas plantas na região de Dourados, a JBS se dispôs a empregar o grupo. Os venezuelanos passaram por uma triagem ainda em Roraima, com provas, exames médicos e entrevistas. Já Díaz chegou ao Estado há quase dois meses, pouco depois da primeira leva de 101 refugiados e migrantes trazidos pela Operação Acolhida. Segundo ele, a Igreja de Jesus Cristo dos Satos dos Últimos Dias auxiliou com as passagens.

O autônomo Odair Laércio, 44, voluntário no auxílio à logística dos venezuelanos em Dourados, puxou o Pai Nosso. De mãos dadas, o grupo ouviu e assentiu que cada um lavaria seu prato depois de comer.
Solís fez a vida como motorista, mas com a crise e o desemprego, acabou na mineração para tentar sobreviver. Sem sorte, deixou a pequena El Palmar - no nordeste da Venezuela - por melhores condições no Brasil. O filho de seis anos, e a filha de três, ficaram com a mãe. “Foram dois dias caminhando até chegar em Pacaraima (RR). Em Boa Vista fiquei no abrigo Tancredo Neves. Vamos nos acostumando com a situação. Antes, jogava fora uma mesa que achava que não servia, ou uma cadeira. Agora, ter uma mesa já é um luxo”, diz.

Solís vai dividir um apartamento de dois quartos com mais quatro venezuelanos no Jardim Água Boa. As moradias para os 130 refugiados e migrantes foram viabilizadas por voluntários em Dourados, como Laércio.

“Nós fornecemos uma cesta de alimentos até eles começarem a trabalhar. A partir do segundo mês eles vão começar a custear aluguel, água, luz e comida com o dinheiro de seu salário”, explica.

O deslocamento dos 130 venezuelanos para o interior do Estado teve o apoio da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que cedeu bolsas de auxílio temporário aos realocados. A Agência da ONU para Migrações (OIM) fretou o avião que transportou 100 venezuelanos e custeou as passagens em voos comerciais dos outros 30.

“COMEÇAR DO ZERO”

Diferente de Rivera e Solís, Gustavo Díaz chegou em Dourados sem garantia alguma. O filho, Gustavo Eduardo Díaz, 17, veio junto. Com 20 anos de experiência em perfuração de poços de petróleo, Díaz garante que entregou dezenas de currículos desde que chegou a cidade sul-mato-grossense. Conseguiu bicos em capinagem, construção e transporte. Gustavo Eduardo vende salgados de porta em porta.

“Na Venezuela eu tinha carro, casa e cinco televisões. Lamentavelmente eu e meu filho estamos assim”, comenta. “Antes da crise na Venezuela eu tinha tudo. Aqui temos que começar do zero”, completa o filho.
Díaz deixou a cidade de Maturín com destino a Pacaraima, na fronteira em maio do ano passado. São 18 horas de carro. Voltou em dezembro para buscar o filho, que, segundo ele, passava de três a quatro dias sem comer. Seus outros três filhos, de 25, 27 e 32 anos, permanecem no país vizinho.

A crise na Venezuela começou a se instaurar ainda em 2013, após a morte do então presidente Hugo Chávez, que estava no poder desde 1999. Vice, Nicolás Maduro assumiu o cargo e precisou fazer concessões e ampliar programas assistencialistas em troca de mais respaldo popular, mas os cofres do governo estavam esvaziados. Maduro ordenou a impressão de mais moeda, o que resultou no aumento da inflação e na disparada dos preços de itens básicos. Acnur e OIM revelam que o número de refugiados e migrantes da Venezuela atualmente no mundo é de 3,4 milhões.

Cidades

TJMS obriga prefeitura pagar transporte aéreo de bebê para tratamento pós-cirúrgico

Município teria negado custeio de transporte de avião, mesmo com recomendação médica em razão do tempo de vida da bebê, de 11 meses, e risco de complicações após cirurgia

07/11/2026 11h30

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses

MPE garante transporte aéreo para bebê de 11 meses Banco de Imagem

Continue Lendo...

À FRENTE

Presidente do TJMS diz que tribunal será “vanguarda do Judiciário nacional"

O desembargador Dorival Pavan concedeu entrevista ao Correio do Estado depois de ficar à frente do Governo do Estado por seis dias

07/11/2026 10h30

Dorival Renato Pavan, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS)

Dorival Renato Pavan, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).