Quem aguarda a chegada do ônibus em um dos pontos espalhados pela Avenida Tamandaré, uma das principais vias da região norte de Campo Grande, “ganha” a companhia de uma comunidade de caramujos.
A denúncia foi feita por uma ouvinte da rádio Mega 94, que registrou a infestação com fotos e vídeos. Os moluscos aparecem no mato que circunda o ponto de parada e no muro próximo ao local.
O tempo de chuva favorece o aparecimento dos bichos. Embora lentos e pareçam inofensivos, os caramujos podem transmitir doenças.
De acordo com o Instituto René Rachou, unidade mineira da Fundação Oswaldo Cruz, a casca do caramujo africano (Achatina fulica) pode até servir de criadouro para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.
Mesmo após a morte do molusco, a concha que ele carrega nas costas demora tempo para se decompor e pode acumular água de chuva. O bicho deve ser eliminado e descartado corretamente para evitar esse problema.
Uma das soluções é queimar e enterrar as carcaças e ovos dos caramujos, a fim de impedir a proliferação da espécie. O procedimento deve ser feito com proteção nas mãos, com saco plástico ou luvas, para evitar qualquer contato com o molusco.
O caramujo africano é hospedeiro de um verme, o Angiostrongylus cantonensis, que transmite a meningoencefalite eosinofílica. A doença provoca a inflamação das meninges (membranas que recobrem o cérebro) e pode ser confundida com a meningite por ter sintomas parecidos.
A contaminação pode ocorrer por meio de larvas contidas no muco produzido pelo caramujo durante sua locomoção, ou mesmo pela ingestão de hortaliças e frutas contaminadas pela larva do bicho.
Em Campo Grande, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) é o órgão responsável pelo controle de agravos e doenças transmitidas por animais da fauna sinantrópica, como morcegos, pombos, roedores, carrapatos, pulga e caramujos.