O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas afirmou durante a audiência pública realizada nesta segunda-feira (13), na Assembleia Legislativa, em Campo Grande, que as indústrias petrolíferas internacionais que exploram o petróleo brasileiro são isentas de tributação.
"Enquanto o governo força a aprovação da reforma previdência, sob a alegação de combater privilégios, as grandes holdings entram no País, retiram nosso petróleo e ainda tem isenção de impostos. A supressão do pagamento desses tributos soma R$ 1 trilhão aos cofres públicos brasileiros, então queremos saber quais empresas nacionais e internacionais que recebem a isenção, para então começarmos a discutir esta reforma", argumenta.
A proposição da audiência foi feita pelo deputado estadual, Pedro Kemp (PT), que se posiciona contra a proposta. “Essa reforma causa um estrago, especialmente às mulheres e trabalhadores rurais. O governo está contra o pobre e a favor do banqueiro, que será o maior favorecido diante da adesão à previdência privada”, pontua.
PARTICIPAÇÃO POPULAR
Na avaliação de Gabas, a população tem que participar da construção da reforma, por meio de acesso aos dados previdenciários e esclarecimentos sobre o que o Executivo Federal está propondo. "A média do provento pago pela previdência é R$ 1.400 reais, então, me desculpem, quem ganha esse salário não tem privilégio nenhum. Então queremos entender quem são os beneficiados na atualidade, ter acesso a dados atualizados do setor previdenciário", reforça.
De acordo com o ex-ministro, se o governo quer aprovar as mudanças na previdência deveria então começar com o diálogo e esclarecimento.
"Eu me disponho a debater e apresentar argumentos factíveis sobre a proposta governamental, tanto é que já participei de audiências públicas em 17 estados brasileiros. Então, acredito que o mínimo que deveria ser feito é que representantes da administração federal se propusessem a esclarecer a sociedade, por meio de canais como este", lembrando a proposição da audiência.
Ao final da explanação, Gabas alertou os participantes, na maioria, representantes de categorias profissionais de que é preciso pressionar os parlamentares sobre o perigo de aceitar a reforma da previdência sem contestação.
"É preciso sair das redes sociais e trazer as reivindicações para ruas, espaços públicos, de maneira pacífica e sem violência. É preciso ficar claro que a proposta apresentada pelo governo federal não defende valores humanos, ela tira dos mais pobres para dar aos mais ricos", finaliza.