O guarda municipal Marcelo Rios, 42 anos, foi transferido da cela que ocupava na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Bancos (Garras) para o Centro de Triagem Anízio Lima, na manhã de hoje (28). Preso no dia 19 de maio com um arsenal, ele suplicou a transferência para uma unidade prisional e chegou ao local escoltado por policiais civis.
Pedido de transferência foi feito pelos advogados de Rios, que anexaram um bilhete onde o suspeito suplicava para deixar o Garras. "Eu Marcelo Rios suplico ao senhor juiz que autorize minha transferência para o CT pois não me sinto seguro onde me encontro preso. Preciso sair daqui urgente”, diz a mensagem escrita à mão.
O pedido foi deferido pelo juiz Roberto Ferreira Filho. Outros dois guardas envolvidos no caso, Rafael Antunes Vieira e Robert Vitor Kopetski, também presos no Garras, ainda não tem vaga liberada e esperam resposta da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen).
ARSENAL MILIONÁRIO
No dia 19 de maio, o Garras, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, apreenderam dezenas de armas de grosso calibre em poder de Marcelo, no Bairro Monte Líbano, em Campo Grande. No local, a polícia encontrou dois fuzis AK-47, quatro fuzis calibre 556, duas espingardas calibres 12 e 22, 17 pistolas e um revólver calibre 357.
Além das armas de fogo, foram apreendidos supressores de ruídos (silenciadores), diversos carregadores e munições. Um veículo com restrição criminal por roubo/furto também foi apreendido no local.
A prisão em flagrante de Rios acabou convertida em prisão preventiva, durante audiência de custódia realizada no dia 20 de abril, no Fórum da Capital.
No dia 22 de abril, com o desdobramento das investigações, policiais fizeram a prisão de Rafael e Robert, suspeitos de envolvimento no caso. Conforme apurado, os servidores são suspeitos de planejarem o sequestro e cárcere privado da mulher do colega preso com o arsenal. Eles foram autuados por obstrução de Justiça.
MILÍCIA
A suspeita da polícia, ainda de acordo com o que foi levantado, é de existência de uma organização criminosa por trás do esquema das armas e que, com o sequestro, o grupo tinha o objetivo de impedir possível delação por parte de Rios. Para coagi-lo, os criminosos teriam planejado e encomendado a ação contra a esposa dele.
Também existe a suspeita de que mais guardas municipais estejam envolvidos com a quadrilha. O arsenal que pode ter vinculação com crimes de pistolagem ocorridos na Capital e também indicariam a existência de verdadeiros milicianos entre integrantes da Guarda Municipal de Campo Grande.
Esse caso acabou causando mal-estar dentro da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) quando a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes) informou em nota um possível envolvimento de policiais civis e militares no caso.
O secretário da Sesdes, Valério Azambuja, teria ligado para o secretário da Sejusp Carlos Videira informando do envolvimento de policiais civis e militares no crime.
Em nota, a Sejusp informa que as investigações estão em andamento, e foi determinado que as corregedorias dos órgãos ligados à secretaria investiguem possível participação de servidores neste caso. Se houver qualquer indício de envolvimento, eles vão responder não só na esfera administrativa, como também na criminal”, destacou Videira.