Cidades

SEGURANÇA

"Ninguém está acima da lei", diz governador sobre milícia

Reinaldo Azambuja completou que outras investigações estão em andamento para coibir o crime organizado

Bruna Aquino

03/10/2019 - 10h00

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), comentou durante visita ao município de Aquidauana, no programa Governo Presente, sobre policiais envolvidos em grupos de milícia e pistolagem que foram desarticulados em operação deflagrada no dia 27 de setembro pela Delegacia Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e de Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que prendeu empresários além de 17 pessoas.

Em entrevista, Azambuja citou que “ninguém está acima da lei” e que investigações profundas estão sendo realizadas nesse sentido para coibir a ação dos criminosos principalmente na fronteira. 

Sobre policiais corruptos, o governador citou que a corregedoria funciona e discriminou atitudes criminosas por parte dos policiais. “Se olhar o histórico desse anos que estamos no governo, estamos cortando isso na própria carne, a corregedoria das nossas polícias tem funcionado bem em excluir essa banda podre que é banda que em vez de trabalhar em defesa do cidadão, trabalha muitas vezes em defesa do crime organizado, e não queremos policiais com esse perfil”, disse. 

Ainda sobre crimes envolvendo policiais, Azambuja disse que o controle é feito através das investigações e que o estado está dando uma atenção especial e que a polícia está estruturada para combater crimes desse porte. “Existem várias investigações caminhando nesse sentido, para que a gente possa prender aqueles que cometem algum delito e às vezes estão ligados ao crime organizado, as facções criminosas, que podem estar trabalhando contra o cidadão e cabe o estado cada vez mais buscar dar segurança ao cidadão de bem, olhar isso com muito critério e muito cuidado”, contou. 

Perguntado sobre ameaças indiretas por parte dos investigados na operação Omertà- que investiga empresários envolvidos em pistolagem e policiais corruptos- e reforço na segurança, Azambuja disse que vai tomar toda a precaução que necessita mas está muito tranquilo em relação a isso. “A gente está mexendo com pessoas que não tem o menor escrúpulo, isso serve ao governador, aos próprios policiais, eu acho que a gente tem que fazer esse enfrentamento, o crime não pode superar o estado, é o direito do cidadão, a livre vontade do ir e vir, a gente nunca vai ser curvar, a polícia está instrumentalizada e organizada para combater o crime e nós vamos fazer isso em todos os níveis, eu fico muito tranquilo porque o dever da polícia é dar segurança a todos, e a gente vai cuidar isso, vamos enfrentar essas questões das organizações criminosas, milícias, pistolagens que estão ocorrendo”, finalizou. 

OPERAÇÃO
A operação Omertà foi deflagrada em 27 de setembro, pelo Gaeco e pelo Garras, e prendeu os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, além de outras 17 pessoas, entre funcionários da família, policiais civis e guardas municipais. Só não foram presos na ação policial o ex-guarda municipal guarda municipal José Moreira Freires e o auxiliar Juanil Miranda Lima – apontados como os executores dos assassinatos investigados pela força-tarefa e foragidos desde abril, quando as investigações começaram a avançar –, além do advogado Alexandre Fransolozo, cujo mandado de prisão temporária (suspenso pelo Tribunal de Justiça) nem chegou a ser cumprido.

Os três policiais civis da ativa foram afastados em 2 de outubro, tendo a arma recolhida, bem como a carteira funcional e demais pertences do patrimônio público destinado aos policiais, além da suspensão de senhas e login de acesso aos bancos de dados da instituição policial, suspensão de férias e de avaliação para fins de promoção. Quatro guardas municipais foram suspensos e também tiveram os armamentos confiscados.

Os assassinatos de pelo menos três pessoas estão relacionados com o grupo de extermínio sob investigação: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante de Direito Matheus Xavier, em abril deste ano.

Para dar o nome à operação, os policiais utilizaram um termo do dialeto napolitano, do idioma italiano. Omertá, conforme o Gaeco, é um termo que se fundamenta em um forte sentido de família e em um silêncio que impede a cooperação com autoridades policiais ou judiciárias. Trata-se de um código de honra muito usado nas máfias do sul da Itália.

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