Cidades

PERIGO

Sem radares móveis, acidentes em rodovias federais aumentam 22%

Meses subsequentes à determinação do governo federal quebraram sequência de queda

Os meses de setembro e outubro deste ano registraram alta de 22% no número de acidentes em rodovias federais em Mato Grosso do Sul, em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento ocorre justamente no período subsequente à determinação do governo federal de suspender o uso de radares móveis em rodovias federais.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado apontam que, em setembro deste ano, foram registrados 129 acidentes, contra 105 do ano passado. Já em outubro de 2018 foram 106 sinistros e neste ano 130.

A determinação do governo de suspender a utilização dos equipamentos, que eram usados pela PRF nas rodovias federais, foi publicada no Diário Oficial da União do dia 15 de agosto. A ordem foi dada ao Ministério da Justiça, órgão responsável pela PRF.

A medida se aplica a radares móveis instalados em veículo parado ou sobre suporte (estático), em veículo em movimento (móvel) e direcionados manualmente para os veículos (portátil).

Conforme a PRF no Estado, havia cinco equipamentos desses atuando apenas na rodovia BR-163. Porém, para a corporação, a não utilização do equipamento não seria um dos motivos do aumento de acidentes, justamente neste período posterior à determinação.

“A evolução do número de acidentes tem, pelo menos, cinco fatores diretos e um indireto. Os cinco diretos são educação, fiscalização, punição, qualidade do socorro e engenharia (que se subdivide em tráfego e veicular). O externo vem de fatores econômicos que impactam o volume de trânsito”, afirmou o inspetor da PRF Tércio Baggio.

Segundo a PRF, apesar de ter perdido os cinco equipamentos da BR-163, outros 38 novos pontos de radares fixos foram instalados este ano na rodovia, que operam 24 horas por dia, sete dias por semana. “Temos avançado em todos os itens, o saldo é muito mais positivo quanto à fiscalização”, declarou Baggio.

Este ano, até o dia 25 de novembro, foram registrados 1.252 acidentes em rodovias federais do Estado, desses casos, 369 foram graves, resultando em 1.504 feridos e 105 pessoas mortas.

No ano passado, no entanto, foram 1.366 acidentes até o fim de novembro, sendo 359 graves, com 1.687 feridos e 103 mortos. Ou seja, apesar do registro menor de acidentes este ano, mais pessoas morreram em um menor intervalo de tempo.

A polícia vê que esses números ainda estão abaixo do “auge” no número de mortos, em 2016. “Bem antes da saída do radar móvel. Os radares portáteis passavam vários dias sem operar por falta de efetivo. No quesito radar, houve ganhos”, avalia o inspetor.

NÚMEROS

Conforme dados da PRF, a falta de atenção à condução tem sido a maior causa de acidentes nas rodovias federais, tanto este ano como no anterior. Em 2019, foram 457 acidentes e 525 no ano passado.

A segunda causa mais comum de acidentes no Estado foi a desobediência às normas de trânsito, com 203 acidentes em 2018 e 167 este ano. Segundo Baggio, os dois itens estão relacionados a vários fatores, entre eles o excesso de velocidade.

A suspensão, de acordo com a União, teve a intenção de evitar o “desvirtuamento do caráter educativo e a utilização meramente arrecadatória dos aparelhos”. Uma nova resolução sobre o uso dos equipamentos deverá ser publicada.

Conforme o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, na época da publicação, estudos da nova resolução para funcionamento dos radares estavam “bastante avançados”. Entretanto, três meses depois, nada foi publicado.

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