Mais de 168 milhões de crianças em todo o mundo foram afetadas pelos impactos da Covid-19 que fecharam as escolas por mais de um ano inteiro, de acordo com novos dados divulgados pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para Infância (Unicef). Milhares de estudantes foram obrigados a adotar o ensino remoto.
A doutora em educação Priscila Barros, destaca que nem todos os estudantes possuem os recursos necessários para ter acesso à educação durante o último ano, o que aumenta a tendência à evasão escolar.
"Tive acesso a essa pesquisa que a Unicef realizou, são números alarmantes. É grave a situação de evasão escolar, as aulas presenciais são fundamentais para a socialização e desenvolvimento dos estudantes, as escolas terão que ir atrás de seus alunos. Para o retorno será necessário realizar um trabalho grandioso para retomar da onde paramos”, disse ao Correio do Estado.
Segundo a pesquisa, 14 países em todo o mundo permaneceram fechados, em grande parte, desde março do ano passado. Dois terços estão na América Latina e no Caribe, afetando quase 98 milhões de crianças e jovens.
Desses 14 países, o Panamá manteve as escolas fechadas a maior parte dos dias, seguido por El Salvador, Bangladesh e Bolívia.
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Em comunicado, a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “a cada dia que passa, as crianças sem acesso à escola presencial ficam cada vez mais para trás, com os mais marginalizados pagando o preço mais alto”, destacou.
A soma envolve alunos que abandonaram os estudos e os que estavam matriculados, mas não receberam atividades para fazer em casa.
De acordo com a Unicef, o fechamento de escolas tem consequências devastadoras para o aprendizado e o bem-estar das crianças. As crianças mais vulneráveis e as que não têm acesso ao ensino à distância correm um risco maior de nunca mais voltar à sala de aula.
A educadora Carmem Albuquerque defende o retorno presencial e destaca que o aumento do abandono será a pior consequência imediata da pandemia na educação.
“Não podemos ignorar que infelizmente estamos vivendo, mais uma vez, momentos difíceis da pandemia. Muitas pessoas morrendo e casos sendo confirmados, mas é necessário pensar em soluções. Passamos por um momento delicado na educação do país, nada substitui o professor em sala, vai ser preciso um tempo para retornarmos a normalidade. Precisamos ir atrás desses alunos e garantir que retornem para as escolas, esse é o único caminho para dias melhores”, relatou.
Conforme os dados mais recentes da UNESCO, mais de 888 milhões de crianças em todo o mundo continuam enfrentando interrupções em sua educação devido ao fechamento total ou parcial das escolas.