Marcada por polêmicas, a relação entre taxistas e motoristas de aplicativo tem dado trégua dos embates públicos diante das pautas individuais de cada categoria.
Contrariando as previsões mais catastróficas e a guerra que chegou a se formar nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, ambas as categorias têm convivido, ainda que sob tensão, em Campo Grande, trazendo e levando a população aos seus destinos.
Para o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo, Paulo Pinheiro, serviços como Uber e 99 não dizimaram a concorrência, como chegaram a dizer em setembro de 2017, quando o serviço foi implementado.
Na época, deputados estaduais chegaram a cogitar uma lei que barrasse a existência das corridas de empresas que não passassem pelos burocráticos trâmites estatais. Havia muita tensão naquele período, especialmente porque em São Paulo foram registrados casos de agressões generalizadas.
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“A realidade do que nós previmos naquela época está se apresentando agora, cada vez mais é um meio de transporte essencial para os passageiros. Nossos motoristas infelizmente ainda não obtiveram os resultados e a valorizações desejados, mesmo em meio a protestos e manifestações”, disse Pinheiro ao Correio do Estado.
Recentemente, os motoristas de aplicativo ajudaram a endossar a luta por combustíveis mais baratos, mas, segundo o presidente da entidade que os representa, já brigaram até mesmo por questões trabalhistas, o que é difícil, dado que as empresas são de capital estrangeiro e muitas vezes, acostumadas com a forma como o sistema funciona em outros países, não se mostram abertas ao diálogo, de modo que os casos acabam na Justiça.
“Hoje já conseguimos o reconhecimento como profissão, auxílio-maternidade, aposentadoria, mas ainda há muito pela frente”, afirmou o sindicalista. Sobre os taxistas, Pinheiro acredita que a relação com os motoristas de aplicativo alcançou um patamar de tranquilidade.
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Contudo, o presidente do Sindicato dos Taxistas (Sintaxi), Flávio Panissa, afirma que a categoria perdeu em torno de 100 motoristas desde que os aplicativos chegaram na cidade e, embora tenha sobrevivido, ainda questiona a falta de regulamentação sobre os concorrentes.
Ele recorda que para conduzir um táxi é necessário cumprir uma série de protocolos e recolher uma série de taxas.
A vantagem, e o que garante a permanência da categoria na cidade, é o fato de o preço ser tabelado. Como a maioria dos aplicativos utiliza valoração dinâmica, é possível que em alguns momentos do dia, quando a demanda pelas corridas aumenta, compense mais andar de táxi do que de Uber, por exemplo. Isso acontece especialmente diante de grandes eventos, escassos em períodos de pandemia, que faziam com que uma grande quantidade de pessoas pedisse transporte ao mesmo tempo.
“Os bons profissionais se sobressaem e têm um espaço no mercado. Estão sobrevivendo aqueles que insistiram e gostam da profissão, mas hoje não é uma função que dá para sustentar a família com dignidade como antigamente. Inclusive os próprios motoristas de aplicativo, que têm feito manifestações por pautas diferentes, também acabam concordando”, explicou.
O presidente do Sintaxi acrescenta que, embora a realidade tenha mostrado que é possível a convivência entre taxistas e motoristas de aplicativo no mesmo espaço, a população ainda acha que corridas de táxi são caras por natureza.
Hoje existem sites e programas em que é possível calcular o valor da corrida, justamente para comparar com os aplicativos.
Além disso, também é igualmente possível chamar um táxi usando programas de celular, sem a necessidade de ligar para um telefone fixo como antigamente.