Em estágio de “pré-colapso” nos sistemas público e privado de saúde, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) aguardam nova atualização do Prosseguir hoje (26) para definir restrições de mobilidade para frear a transmissão da Covid-19.
Em paralelo, a taxa de contágio em Mato Grosso do Sul é a segunda maior do País, conforme dados da plataforma Loft Science.
Outro ponto preocupante é a fila de espera por vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), que só cresce no Estado, com 239 pessoas nesta situação ontem (25).
A taxa de contágio em Mato Grosso do Sul está em 1,12 segundo a plataforma e só perde para a taxa do Paraná, que ontem era de 1,14. Na prática, isso significa que a cada caso positivo para coronavírus mais 112 pessoas serão infectadas.
Porém, a plataforma usada pelo governo do Estado, o portal Farol Covid, mostra outro número. A plataforma usada pela SES para levantar os dados dizia ontem que a taxa de contágio era de 1,02. No entanto, é importante salientar que o Farol Covid alerta que há subnotificação no Estado, pela falta de abastecimento dos dados em todos os municípios.
O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que, neste momento, tanto uma pessoa com maior poder aquisitivo quanto uma mais carente, caso precise de um leito de UTI no Estado, não terá acesso em razão da demanda.
Questionado sobre a possibilidade de um novo decreto estadual restritivo, Resende relatou que vai discutir o assunto em agenda interna com o governador Reinaldo Azambuja.
“O resultado do que estamos enfrentando hoje, pior cenário durante toda a pandemia, é fruto, primeiro, de uma taxa de contágio que tem crescido nos últimos dias, das aglomerações, da parcela da população que se recusa a usar máscaras, achando que a vida está voltando ao normal, e não está”, ponderou.
Para o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), não há colapso da saúde pública no município, mesmo operando com 99% de ocupação nos leitos clínicos e de UTI. “Na nossa cidade, a estabilidade [de internações] permanece em alta. Todavia, com sobras de leitos”.
Ao ser questionado sobre a alta incidência de pacientes intubados em UPAs por falta de vagas hospitalares, conforme o Correio do Estado relatou nesta segunda-feira (24), Trad afirmou que esses lugares são adequados.
“Até porque as UPAs possuem salas iguais às UTIs nos hospitais”, ponderou o prefeito. No entanto, o autônomo Cristiano da Rocha, 29 anos, afirmou que foi instruído pelos médicos da UPA Coronel Antonino a comprar anticoagulantes para o pai, intubado na unidade por 5 dias. A vaga hospitalar para UTI só veio na noite de segunda-feira (24).
Sobre a falta de medicamentos nas unidades de saúde, Marcos Trad ressaltou que não há ausência de fármacos na Capital. “Se porventura tiver algum parente adquirindo algum medicamento, talvez seja por cautela e prudência dele mesmo”, reiterou.
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OCUPAÇÃO DE LEITOS
De acordo com o titular da Sesau, José Mauro Filho, além de esperar as recomendações do Prosseguir, a Capital tentará ampliar os leitos de UTI para desafogar as internações em UPAs.
“A princípio, temos 10 leitos semi-intensivos no Hospital El Kadri para operacionalizarmos. Precisamos conversar ainda com o Hospital Regional sobre a capacidade de expansão e com o Hospital do Pênfigo”, afirmou.
Ontem, a Santa Casa de Campo Grande operava com 120% de ocupação dos leitos de UTI Covid-19 na Unidade do Trauma. Mais dois pacientes estavam isolados no pronto-socorro à espera da confirmação do teste para diagnóstico do coronavírus.
No Hospital da Cassems, a taxa de ocupação era de 100% nos leitos de UTI. Já a taxa de internação nos leitos de enfermaria estava em 62%. Três pacientes estavam em ventilação mecânica na emergência do pronto atendimento.
No Hospital da Unimed, a taxa de internação era de 100% ontem, com todos os 60 leitos de UTI em uso. Mesmo patamar registrado no Hospital Adventista do Pênfigo e no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian.
De acordo com a secretária adjunta da SES, Crhistinne Maymone, apesar de o governo estadual ativar novos leitos de UTI ao longo da semana, em Ponta Porã, Dourados e Três Lagoas, a demanda só tende a aumentar.
“Precisamos de medidas restritivas dos gestores municipais com análises em seus territórios que possam quebrar a cadeia de contágio, além da vacinação”, salientou.
Para a infectologista e integrante do Centro de Operações Emergenciais (COE) Mariana Croda, apenas a restrição severa na mobilidade urbana será capaz de frear a ação do coronavírus. Croda reiterou que a população já está morrendo em casa e em UPAs sem o devido atendimento.
“Estamos enxugando gelo, e a sensação que temos é de que a população assiste ao colapso de saúde como se fosse algo normal. O nosso papel está sendo o de contar mortes”, alertou a infectologista.
Conforme Croda, as próximas semanas serão de avalanches de mortes por Covid-19. “Não vemos mais nenhuma possibilidade de abertura de leitos e não há outras formas de controlar a doença sem que tenhamos medidas restritivas eficazes”, salientou.
RESTRIÇÕES
Sem tempo a perder e um dia antes da atualização do Prosseguir, o prefeito de Amambai, Edinaldo Luiz de Melo Bandeira, assinou o Decreto nº 531/2020, que institui o toque de recolher das 19h às 5h, válido desde ontem. A decisão foi tomada em razão do considerável aumento de casos e mortes por Covid-19.
Durante a restrição, não haverá atendimento ambulatorial no Hospital Regional do município, destinado apenas a casos de coronavírus. As demais patologias serão encaminhadas para Unidades Básicas de Saúde (UBSs).