As obras de revitalização do Parque dos Poderes, que começam na semana que vem, contemplarão toda a estrutura do complexo, beneficiando também a segurança do local, um dos pontos mais necessários, segundo trabalhadores e frequentadores da região.
Pontos de ônibus depredados, iluminação precária e calçada irregular são alguns dos reflexos da falta de manutenção no local, que passará pela primeira reforma desde sua inauguração, em 38 anos.
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Para a auxiliar administrativa, Vanessa Soares, 33 anos, as reformas vieram em boa hora.
“Ainda bem que resolveram reformar o parque, mas espero que se preocupem com a falta de segurança e iluminação do local. Eu utilizo o transporte coletivo para ir trabalhar e pego o ônibus dentro do parque, mas, a noite, a falta de iluminação sempre foi um problema. Se eu perco o ônibus, preciso ficar um bom tempo aguardando, além de nem ter onde sentar”, relatou ao Correio do Estado.
O Parque dos Poderes é sede dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e do Ministério Público, além de ser ponto para prática de atividades físicas e lazer.
A estudante Gabriela Rodrigues, 22 anos, tinha o hábito de frequentar o local para praticar exercício, contudo, nos últimos meses, achou melhor procurar outras alternativas, pois também não se sentia segura no local por conta da falta de fiscalização.
“Dependendo do horário, não me sinto segura para frequentar o local, falta iluminação, e nunca vi nenhum segurança para prestar apoio à população, por exemplo. Gosto de andar de bicicleta, mas, por causa da falta de fiscalização e imunização, acho melhor procurar outros locais, tomara que com essa reforma resolvam as questões de segurança”, apontou a estudante.
Pista de caminhada
Conforme o engenheiro civil da Engepar, empresa responsável pela obra, Thiago Gonçalvez, as intervenções começam nos próximos dias, e a expectativa é de que a obra fique pronta no início de 2023.
“As obras se iniciam na primeira quinzena de junho, com prazo de execução de 540 dias. Por conta do momento em que vivemos de pandemia, e as incertezas geradas quanto ao enfrentamento dela, podemos ter ajustes no prazo, mas esse é o cronograma”, explicou.
De acordo com a Engepar, o projeto inclui o recapeamento de 110 mil m² de ruas, implantação de quatro quilômetros de pista de caminhada e corrida, 4,2 quilômetros de ciclovia no canteiro central, acessibilidade, paisagismo, 70 bancos de descanso, três estações de ginástica, reforma dos estacionamentos e instalação de 41 abrigos nos pontos de ônibus e de lixeiras.
Durante os finais de semana, o local recebe o projeto Amigos do Parque, que consiste no fechamento de uma das vias, das 7h às 19h, para possibilitar a prática desportiva, como caminhadas, corridas, passeios de bicicleta e patins.
O engenheiro da Engepar destaca que também está prevista a construção de um centro de apoio às pessoas que frequentam o local, como banheiros masculinos, femininos e adaptados para as pessoas com deficiência.
“O projeto contempla a revitalização do parque dos poderes, o grande conceito do projeto é a integração e o conforto para todos. Serão instaladas áreas de vivências, academias, bancos, lixeiras e totens. Haverá, também, projeto paisagístico e nova sinalização da via, para garantir segurança e conforto”, ressaltou o engenheiro responsável pela obra.
A administradora de empresas Jamile Marques, 38 anos, frequenta o espaço toda semana para caminhar, e comemorou que toda a área da mata será preservada durante a obra, sendo esse um diferencial do parque.
“Em meio à correria do dia a dia é muito bom ter um lugar para espairecer e praticar exercício com frequência, e ter esse contato com a natureza faz a diferença no meu dia a dia”, destacou.
Inaugurado em 1982, o Parque dos Poderes é resultado de um concurso de projetos criado pelo então governador Pedro Pedrossian.
Desde que estava no papel, a ideia era dar vida ao complexo administrativo de Mato Grosso do Sul.
Desmatamento
No lançamento oficial da obra, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) destacou que não haverá desmatamento no Parque dos Poderes para a execução do projeto.
“Realmente, nós tínhamos uma lei que permitia construir um novo prédio da Secretaria de Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, e nós mudamos, não vamos mais abrir essas áreas no Parque dos Poderes, vamos preservar essas áreas intactas, porque isso é um patrimônio do sul-mato-grossense. Embora seja necessário ampliar alguns prédios públicos, nós vamos fazer sem nenhum dano ambiental, sem desmatar”, afirmou na época.
A obra prevê a restauração funcional do pavimento, drenagem das águas pluviais, urbanização do local e implantação de ciclovias, com acessibilidade para as calçadas, além do recapeamento de 110 mil m² de ruas, com quatro quilômetros de pista de caminhada e corrida, assim como 4,2 quilômetros de ciclovia no canteiro central.