Cidades

BANDEIRA VERMELHA

"Quase mandei uma caixa de bombom na casa do prefeito", diz comerciante sobre fim de lockdown

Com novo decreto da prefeitura, comerciantes reabriram as lojas e movimento foi normal no centro

O comércio em geral e demais atividades não essenciais reabriram as portas nesta terça-feira, após decreto do prefeito Marcos Trad (PSD) determinar o fim das restrições impostas pelo governo do Estado.

O comerciante Silvio Cândido dos Santos Júnior comemorou o fim do chamado lockdown em Campo Grande. “Quase que fui lá na casa dele dar um beijo nele. Quase que mandei uma caixa de bombom na casa do prefeito”, celebra.

O sentimento é partilhado por mais empresários e comerciantes, que reclamaram que o fechamento de 15 dias traria muitos prejuízos.

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Em estado de colapso na saúde pública, Campo Grande entrou na bandeira cinza do mapa de Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir) na última quinta-feira (10), o que indica grau de risco extremo da Covid-19.

Com isso, o Governo de Mato Grosso do Sul decretou medidas restritivas para Capital e mais 42 cidades.

Campo Grande solicitou ao governo um prazo de 72 horas de planejamento para início do período de restrições. O governo concedeu 48 horas.

Após solicitação da prefeitura em adiar lockdown, a bandeira cinza começou às 0h de domingo (13) em Campo Grande. 

Porém, Trad voltou atrás, cancelou lockdown e implantou bandeira vermelha na Capital na tarde desta segunda (14). Com isso, o comércio abriu normalmente na manhã desta terça-feira (15).

Silvio é contra o lockdown em Campo Grande e elogia a atitude do prefeito.

“Sou contra. Totalmente contra. Porque são muitas famílias que trabalham aqui no centro. É desse lugar que a gente tira o sustento. Porque daí não vai estar diminuindo o problema e sim arrumando dois problemas, o desemprego das pessoas e a pandemia”.

O comerciante é a favor da permanência de medidas de biossegurança, como uso de máscara, álcool gel e continuidade do toque de recolher às 20h.

“A gente usa máscara e coloca álcool gel para todo mundo. Tem que diminuir o toque de recolher e deixar o povo trabalhar normal. O que manda são as festas que fazem a noite, eu sou a favor de diminuir o toque de recolher e não fechar o comércio”.

O autônomo Aldecimar Menezes de Lima é taxista há cerca de 30 anos e prospera a reabertura do comércio. “Eu gostei, foi ótimo, abriu o comércio e agora todo mundo pode trabalhar tranquilo. Sou contra o lockdown”, comemora.

Além disso, diz que o “fecha, abre” da cidade afeta o movimento de clientes no táxi. 

“O movimento morre, a gente vem fazer o que aqui? O comércio está fechado. O comércio não tem nada a ver com essa pandemia. Abre banco mas não pode abrir comércio”.

Por outro lado

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende discorda da atitude de Trad em descumprir medidas impostas pelo governo de Mato Grosso do Sul.

“Fico perguntando o que levou o prefeito a romper um compromisso que tinha a sua própria assinatura e o aval de dois de seus secretários e o procurador do Município”, questiona.

Além disso, afirma que cabe ao Ministério Público tomar providências em relação à decisão do prefeito e torce para que não haja mais vidas perdidas. 

“O que eu mais espero, porém, é que essa medida não resulte em mais mortes por Covid em nossa capital”.

A infectologista Mariana Croda disse ao Correio do Estado que o prefeito traz uma falsa sensação de segurança ao campo-grandense com a nova decisão. 

"Isso é horrível para população, a sensação de segurança que passa para as pessoas é o ato mais impensado além de confundir e passar uma sensação de falsa segurança".

Além disso, afirma que não é o momento ideal para reabertura do comércio devido à falta de leitos.

"Sabemos que, na prática, não há fiscalização desses comércios, muito menos das aglomerações e dos eventos sociais. Ele sobrepôs a posição do estado e tem que se responsabilizar pelos seus atos", complementa. 

A dona de casa Valdirene Alves é a favor do lockdown em Campo Grande e se indigna com a atitude de Marcos Trad. “Tem que fechar tudo e pessoas que são pegas andando na rua sem máscara devem ser multadas”, reivindica.

“O prefeito está brincando com vidas. Pessoas são levadas para outros estados porque não tem mais vagas aqui e o cara ainda quer manter o comércio aberto”, complementa. 

Bandeira vermelha

De acordo com orientações do Prosseguir, a bandeira vermelha representa municípios que estão no grau de risco alto para Covid-19. 

Esta faixa suspende eventos, entre outras atividades de alto risco, e obriga o distanciamento social e uso de máscara em locais públicos.

Também recomenda toque de recolher das 21h às 5h e propõe velório de pessoas não Covid de até 1 hora, com limite máximo de 10 pessoas. Pessoas que morreram de Covid-19 não devem ter velório e seu enterro deve ser imediato. 

Também sugere a ampliação de leitos UTI em hospitais, contratação de leitos extras em hospitais particulares e ampliação da quantidade de remédios em unidades de saúde.

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