O avanço de 14 pontos porcentuais na vacinação em um intervalo de quatro semanas fez com que o número de novos casos e internações por Covid-19 caísse em Mato Grosso do Sul.
O Estado, até ontem (5), havia vacinado 46,7% da população com a primeira dose e completado a imunização de 21,4% com a segunda dose.
Durante a semana epidemiológica 22, entre os dias 30 de maio e 5 de junho, o ritmo de vacinação contava com 32,01% dos sul-mato-grossenses vacinados com a primeira dose e 13,33% imunizados com as duas.
Nesse período, MS registrou 13.086 novos casos de coronavírus, considerado recorde desde o início da pandemia.
Encerrada no sábado (3), a semana epidemiológica 26 contabilizou 5.548 casos, uma redução de 57,4% em relação à semana 22.
Mato Grosso do Sul já chegou a registrar mais de 3 mil casos da doença e mais de 70 mortes em um único dia.
No início de junho, a média móvel de casos era de 1.869,4; já nesta segunda-feira (5) a taxa estava em 723,4.
Em relação às internações, o sistema de saúde passou de um estado de colapso, com 1.330 internados, para 715 hospitalizados, ontem, uma queda de 46,2%.
Alerta continua
No entanto, é importante salientar que, apesar da queda, o sistema de saúde continua operando com sobrecarga e altas taxas de ocupação. Na macrorregião de Campo Grande, em 30 dias, as taxas de internações passaram de 112% para 89%.
Após implementar lockdown por duas semanas, entre os dias 30 de maio e 12 de junho, as internações em Dourados foram de 91% para 83%. Em Três Lagoas, os índices de hospitalização caíram quatro pontos porcentuais e estão em 80%, conforme a SES.
Na macrorregião de Corumbá, a ocupação hospitalar passou de 96% para 74% em quatro semanas.
Para o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, dois fatores foram responsáveis pela queda nos índices de internação e novos casos de Covid-19, tanto o avanço na vacinação quanto as medidas restritivas.
“Em Dourados, por exemplo, houve uma redução maior do que em Campo Grande. O Estado poderia ter índices melhores se a Capital tivesse adotado o Prosseguir”, afirmou.
FILA MENOR
Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que houve redução de 90% na fila de espera, de 286 pacientes em 5 de junho para 26 enfermos à espera de uma vaga hospitalar nesta segunda-feira (5). A taxa de contágio caiu de 1,14 para 0,97 em um mês.
Para o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, a redução da taxa de contágio, dos casos confirmados, das mortes e da taxa de ocupação hospitalar é resultado das medidas duras implementadas no Estado, além do avanço na campanha de vacinação.
“Temos uma média de internações hospitalares que está chegando à metade do que nós verificamos no início do mês. Chegamos no dia 8 de junho ao nosso recorde, com 1.339 hospitalizados. Hoje estamos com 715 pessoas internadas”, frisou o secretário.
Resende ponderou ainda que a maioria dos municípios de MS está com leitos de UTI disponíveis. “Nunca registramos esse cenário antes”, disse.
Para o infectologista Julio Croda, se não houver no Estado o registro da variante Delta (descoberta na Índia), MS poderá ter nas próximas semanas quedas acentuadas de novos casos, internações e mortes por coronavírus.
Desde o dia 19 de janeiro, Mato Grosso do Sul já aplicou 1.812.486 doses contra a Covid-19. Apenas nos últimos 30 dias, foram aplicados 514.194 imunizantes, sendo 289.950 referentes à primeira dose e 116.755 à segunda dose.
FRONTEIRA
Com a vacinação em massa decorrente das 165,5 mil doses da Janssen, enviadas aos 13 municípios da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia, o governador do Estado, Reinaldo Azambuja, acredita que MS será a primeira unidade da Federação a imunizar toda a sua população contra a Covid-19.
Em apenas três dias, 54.873 pessoas foram imunizadas na fronteira de Mato Grosso do Sul. Conforme a SES, os municípios de Ponta Porã e Corumbá foram os que mais aplicaram as doses da Janssen no fim de semana.
Ponta Porã imunizou 18.551 moradores com a Janssen, e Corumbá, 16.657. Outros municípios menores também registraram recordes de aplicação de doses, entre eles, Mundo Novo (5.076), Bela Vista (3.847) e Sete Quedas (3.197).
O envio para a fronteira é referente aos 5% das 3 milhões de doses da Janssen que chegaram no dia 24 de junho ao País. Produzido pelo grupo Johnson & Johnson, esse imunobiológico de dose única possui eficácia de 85% para casos graves de Covid-19 e proteção completa contra hospitalização e morte pela doença.
DIVISÃO
Das 165,5 mil doses da Janssen enviadas à fronteira do Estado, 20 mil foram disponibilizadas para que a SES as distribuísse entre os 66 municípios de MS. Com a nova forma de rateio, Campo Grande foi contemplada com 37,25% desse lote, 5% a mais do que era enviado à Capital anteriormente.
Conforme o secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho, as 7.450 doses da Janssen devem ser usadas para a imunização da faixa etária de 40 anos a partir desta terça-feira (6).
Em tom crítico à imunização na fronteira, José Mauro defendeu que este não é o momento ideal para que estudos sejam feitos.
“Qual o intuito de fazer um novo estudo para saber se a vacina funciona? Enfim, nós precisamos vacinar a população economicamente ativa. Quem está internando e contaminando hoje são pessoas acima de 30 anos, por volta de 23% da população”, afirmou.
Para o governador do Estado, Reinaldo Azambuja, o descontentamento de algumas prefeituras com o estudo na fronteira é sem fundamento. “Eu acho que isso faz parte de uma discussão, a meu ver, inócua. Isso é um ganho de MS, e quem disponibiliza as doses é o Ministério da Saúde”, disse.