Mesmo cansados e estressados do trabalho incessante no combate a pandemia, os profissionais da saúde, responsáveis pela vacinação da população campo-grandense, sentem-se gratos pelo trabalho.
“Nosso trabalho é incansável, estressante - afeta nossa saúde física e emocional. Nos sentimos abalados e desgastados. Mas, quando chega no final do dia, e vemos os frascos vazios, agradecemos por mais um grupo vacinado", afirma a técnica de enfermagem Celma Leite Schaustz.
Desde o início da pandemia, Celma trabalha na linha de frente. Com as doses extras da Janssen, a técnica viu as filas para vacina andarem mais rápidas, e comenta a emoção das histórias que ouve durante o trabalho.
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“Hoje tiveram jovens que choram aqui, pessoas que também estão na linha de frente, trabalhando, produzindo, e ver chegar a vez deles é muito gratificante. Ficamos felizes em podermos compartilhar essa felicidade”, comenta a profissional.
Diante do número de mortes registrados em Mato Grosso do Sul, muitos dos profissionais perderam alguém da família para a doença, o que, de acordo com eles, fortalece ainda mais o trabalho.
“Eu perdi minha avó para a doença, e isso me fortalece ainda mais aqui no trabalho. Isso porque eu não quero que ninguém sinta o que eu senti”, lamenta a técnica em enfermagem, Andreia Gomes Morais.
Andreia foi infectada pela Covid-19 no fim do ano passado, mas o quadro foi leve e não precisou de internação.
Ela trabalha desde março com a aplicação das vacinas em Campo Grande e relata com certa indignação, casos em que as pessoas recusam certas vacinas, demonstrando preferência por determinado fabricante, o que de acordo com ela, é desnecessário.
“Tem gente que chega aqui e quer escolher a vacina. Se a que está sendo aplicada não é a que pediu, a pessoa volta para casa sem se vacinar. Isso é um absurdo, quem estudou sabe como tem que ser”, reclama.
A DOR DA IMPOTÊNCIA
A enfermeira Andreia Neves também atua na linha de frente da Covid-19 desde o início da pandemia.
Ela é supervisora hospitalar e vê de perto as partidas, e comenta o sentimento de impotência diante das mortes, não apenas de desconhecidos, como também de familiares que viu partir em razão da doença.
Andreia perdeu quatro familiares e há quatro meses o noivo morreu em decorrência da covid. Depois de quatro dias entubado, ele não resistiu a severidade do vírus.
“Nós profissionais também perdemos muito, eu perdi quatro membros da minha família. Também nos sentimos impotentes, como profissionais, de não poder ajudar os nossos familiares. Estamos muito cansados e com a saúde física e mental muito abalada”, disse a enfermeira.
Com lágrimas nos olhos e com a voz embargada ela afirma que “ agora, que temos a oportunidade de vacinar é um sôfrego de ânimo e quando falamos de vacina, não tem como não se emocionar”.
VACINÔMETRO
Mato Grosso do Sul ultrapassou a marca de 50% da população vacinada contra a Covid-19.
Em Campo Grande, 404 mil habitantes tomaram a primeira dose e outras 250 mil pessoas estão imunizadas contra a doença, o que representa 23%.
Apenas neste domingo (11), 2.997 pessoas foram vacinadas, totalizando cerca de 661.143 doses de vacina contra o coronavírus aplicadas na Capital.
De acordo com a prefeitura, Campo Grande superou a média de aproximadamente 13 mil pessoas vacinadas por dia, o que representa 1,4% de toda a população campo-grandense.
O calendário de vacinação de hoje foi destinado a pessoas com 36 anos ou mais e para profissionais da imprensa e da rede bancária.