Tatiane Gonçalves da Silva, de 28 anos, foi encaminhada para São José Rio Preto, no Estado de São Paulo, para realizar um transplante de órgãos.
Residente de Corumbá, a 426 km de Campo Grande, a paciente estava internada na Santa Casa da Capital, pois desenvolveu uma hepatite pós-parto grave, que causa uma insuficiência hepática grave, com risco de morte estimado em 50%.
Devido ao seu agravamento, ela subiu na lista do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), para realizar a transplantação de um figado.
Tatiane é mãe de três filhos, incluindo um bebê de quatro meses. Ela embarcou em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea na manhã desta terça-feira (21), acompanhada de sua irmã e de um médico.
Atualmente, Mato Grosso do Sul tem feito tratativas com o Hospital Adventista do Pênfigo de Campo Grande para que o Estado torna-se referência em transplante de fígado e no tratamento a pacientes com doenças hepáticas.
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Queda nos números
De acordo com o levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES), de janeiro a agosto deste ano, houve redução nos transplantes de coração e de rim no Estado em comparação ao mesmo período do ano passado.
Em 2020, foram realizados três transplantes de coração e neste ano, apenas um. Em relação aos de rim, no ano passado foram feitos 17 procedimentos e neste ano apenas sete.
O único aumento foi em relação ao transplante de córnea, sendo que no ano passado foram registrados 80 procedimentos, e neste ano foram realizados 91.
Conforme profissionais da área, os números baixos são devido a recusa de famílias em realizar as doações.
Eles acreditam que uma das razões para a recusa dos parentes em autorizar a retirada dos órgãos é a falta de conhecimento sobre o que vem a ser, por exemplo, a morte encefálica, um processo considerado absolutamente irreversível.
De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o número de doadores caiu 26% no País neste ano, em razão da pandemia de Covid-19. Como consequência, a queda atingiu os pacientes que esperam por um transplante.
Em entrevista ao Correio do Estado, a gerente de Serviços de Terapia e Transplantes da Santa Casa de Campo Grande, Ana Paula Silva das Neves, relatou que a queda nos números foi devido a pandemia da Covid-19.
“Em decorrência da pandemia, muitas pessoas encontraram dificuldades de atendimento em unidades de saúde, por exemplo, e com a morte do familiar, muitos também acabaram dificultando uma possível doação de órgãos”, afirmou.
“Em razão de tudo isso houve mais dificuldade em conversar com familiares do paciente em morte, e isso acabou também refletindo no trabalho de procura de órgãos em todo o País”, continuou a gerente.