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Com nuvem de fumaça, Capital tem pior nível de qualidade do ar

Falta de chuvas, calor e baixa umidade resultaram no aumento de poluentes em Campo Grande

Gabrielle Tavares

22/09/2021 - 09h30

O cenário de temperaturas recordes, baixa umidade relativa do ar, queimadas e falta de chuva fez com que Campo Grande atingisse o pior nível de qualidade do ar desde março de 2021, segundo o monitoramento realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Por volta das 16h de ontem, o indicador da qualidade do ar passou de bom para moderado – nível nunca observado na Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar da UFMS. 

O resultado é por conta da alta concentração de partículas inaláveis finas em circulação na atmosfera.

Nas últimas semanas, a Capital tem sido encoberta por uma densa nuvem de fumaça, o que, de acordo com o físico Widinei Alves Fernandes, doutor em Geofísica Espacial pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) e coordenador da central de monitoramento da UFMS, é reflexo da qualidade do ar na cidade. 

“A qualidade do ar saiu de boa para moderada, com índice de 47, sendo recorde na cidade. Isso acontece por conta da nuvem de fumaça que encobre a cidade. Estamos há dias sem chuva, o tempo extremamente seco, queimadas e ressuspensão de partículas que agravam a situação”, avaliou.

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O monitoramento da qualidade do ar avalia a concentração de poluentes, além dos parâmetros meteorológicos como direção e velocidade do vento, temperatura e umidade relativa do ar. 

Dependendo do índice obtido, o ar recebe uma qualificação, que é uma nota para a qualidade do ar, além de uma cor. Atualmente, Campo Grande ocupa a cor amarela, que sinaliza índice moderado.

O físico explica que para a qualidade do ar melhorar é necessário que se tenha chuva. Segundo ele, com a chegada de precipitações, as partículas de poluentes acumuladas na atmosfera se dispersam. 

“Essas partículas não voltam para a superfície imediatamente, o principal fator para a redução das partículas é a chuva, por meio dela é possível limpar a atmosfera. Por conta do longo período de estiagem, temos um acúmulo de concentração de partículas, que agravam ainda mais a qualidade do ar”, destacou.  

 EFEITOS

De acordo com o pesquisador, a referência para determinar os níveis de poluentes e a qualidade de ar resulta de estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando a situação é considerada boa, não traz riscos à saúde da população.

Enquanto na qualidade “moderada”, na qual Campo Grande se encontra, pessoas de grupos sensíveis, como crianças, idosos ou pessoas com doenças respiratórias, podem apresentar sintomas como cansaço e tosse.

Conforme o pesquisador, nesta época do ano é comum a qualidade do ar ficar bastante afetada no Norte e Centro-Oeste do País. 

“Atingimos o nível de qualidade do ar moderado, podemos dizer que toda a cidade está com a qualidade do ar em estado de alerta agravado, por isso temos dias muito quentes com temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar”, apontou.

A falta de chuvas expressivas e o aumento de queimadas no Estado também influenciam na qualidade do ar. 

Em julho, o total de focos ativos detectados pelo satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) chegou a 916, enquanto em agosto o número disparou e fechou em 2.646.

Em setembro, mesmo antes do fim do mês, os números seguem em alta com 1.643 focos contabilizados, de acordo com o Inpe.

CUIDADOS

O pneumologista Ronaldo Perches aponta que a presença desses poluentes prejudicam a qualidade do ar e ainda mais a saúde humana, sendo necessário adotar alguns cuidados.

“Estamos vivendo um fim de inverno completamente atípico, com altas temperaturas, muita poeira, queimadas e falta de chuva. A fumaça acaba encobrindo a cidade e temos registrado muitas queimadas no entorno dela. Todos esses fatores impactam na saúde da população”, destacou.

O especialista alerta que é indispensável manter os cuidados no tempo seco com a saúde, pois a qualidade do ar também pode causar ou agravar doenças respiratórias. 

“Todo esse conjunto de problemas acaba provocando o aumento de pessoas com as doenças respiratórias que acabam entrando em crise, com falta de ar e com risco de agravar uma pneumonia. Além de aumentar a incidência de crises de asma, bronquite, enfisema, rinite e alergias respiratórias”, disse o pneumologista.

O especialista orienta que as pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares, idosos e crianças evitem esforço físico ao ar livre. 

Além disso, para aliviar o desconforto provocado pela secura, recomenda-se evitar exposição direta ao sol nas horas mais quentes e secas do dia.

Perches alerta que nos dias mais quentes do ano, o consumo de água deve ser ainda maior, com isso, o especialista destaca que a quantidade de água ingerida diariamente deve ser em torno de 2 a 3 litros por dia. 

“A orientação é tomar água durante todo o dia para manter o corpo hidratado. Nesse período, é fundamental tomar água, usar hidratante no corpo e se alimentar bem para enfrentar esse período tão dificil”, diz.

ALÍVIO

A umidade relativa do ar no Estado chegou a 8% nesta semana, por causa da falta de chuva e da onda de calor na região. 

Segundo o Climatempo, ontem, a Capital atingiu 39ºC de temperatura à tarde, apenas no início da noite o calor começou a diminuir, registrando 28ºC.

A umidade relativa do ar deve continuar baixa em todas as regiões, com variação estimada entre 15% e 45% ao longo do dia, com porcentagens menores estimadas nas regiões sul e bolsão. 

Para os próximos dias, porém, a notícia é de que há previsão de chegada de uma frente fria que poderá trazer chuva para MS.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a partir de sexta-feira são esperadas mudanças no tempo por conta da aproximação de uma massa de ar fria, que deve trazer chuva, ventos fortes e alívio para o calor intenso em todas as regiões do Estado. 

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