Embora tenha causado muitos estragos, as recorrentes chuvas em Mato Grosso do Sul contribuíram para elevar o nível dos reservatórios, juntamente com as precipitações na do restante do Centro-Oeste e do Sudeste do país, fazendo com que a média superasse o esperado para outubro.
Considerado a caixa-d’água do setor elétrico brasileiro, o nível dos reservatórios das duas regiões fecharam outubro em 18,2%, 1,5 ponto percentual acima do registrado no fim de setembro, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Contribuindo para essa média, em Campo Grande o acumulado de outubro também foi acima do esperado para o período.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estimativa para o mês era de 105,5 milímetros, mas, nos 31 dias o acumulado foi de 179,8 mm, 70% acima do estimado,
Em tempos de crise elétrica, a melhoria do cenário reduz os riscos de apagões por falta de capacidade de atender a demanda, contudo, especialistas alertam que a operação do sistema ainda demanda atenção, tendo em vista que apesar de ter sido acima do esperado, os níveis ainda continuam baixos.
Com a recuperação, os preços da energia continuam cedendo. O custo marginal de operação, que baliza as operações do ONS, caiu 41,56% na semana passada, para R$ 94,09 por MWh (megawatt-hora). O preço de liquidação de operações no mercado livre de energia chegou à média semanal de R$ 161,22 por MWh, contra R$ 177,38 na semana anterior.
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Embora a queda de preços tenha contribuído para a mudança da bandeira tarifária cobrada de clientes tarifários para o patamar amarelo, mais barata, a maior parte dos consumidores não deve ver impactos em sua conta de luz agora, pois o governo continua acionando todo o parque térmico disponível.
Os modelos de precificação de energia vêm sendo criticados por especialistas e grandes consumidores por não conseguirem retratar a dimensão da crise energética ao perceberem de forma mais intensa a previsão de chuvas do que o nível dos reservatórios.
O governo vem, inclusive, negociando um novo empréstimo ao setor elétrico para cobrir o rombo provocado pelo aumento dos preços dos combustíveis usados pelas térmicas, já que os R$ 14,20 por 100 kWh (quilowatt-hora) da bandeira tarifária de escassez hídrica já não paga toda a geração necessária.