Aprovado em 2017, o novo Ensino Médio deve ser implantado em todas as instituições de ensino públicas e particulares do Brasil no primeiro semestre letivo de 2022.
Em Mato Grosso do Sul, conforme pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Educação (SED), pelo menos 34,7% dos 40 mil alunos que participaram do questionário escolheram como prioridade nos estudos o ensino técnico.
Entre as novas mudanças, os estudantes passam a ter a opção de se aprofundarem em cinco áreas de interesse ao longo dos três anos de ensino, também chamadas de itinerários formativos: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas/Sociais e Formação Técnica/Profissional.
Pioneiro no processo de transição, Mato Grosso do Sul já implementou neste ano o novo currículo em 122 das 347 escolas da Rede Estadual de Ensino (REE), cerca de 35%.
De acordo com o Coordenador do Ensino Médio e Ensino Técnico da Secretaria de Estado de Educação, Davi Oliveira dos Santos, na contramão, a área de Linguagens e suas Tecnologias alcançou apenas 12,1% de interesse dos estudantes, cerca de 4.800 alunos que participaram da pesquisa.
“Em penúltimo lugar, temos Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, em terceiro lugar, Matemática e suas Tecnologias e, em segundo lugar, Ciências da Natureza e suas Tecnologias”, relatou Santos.
No entanto, segundo o coordenador, apesar das divergências das escolhas dos estudantes, haverá aprofundamento de todas as áreas ofertadas em todas as escolas.
“Temos um recorte muito bom para sabermos que [Ciências] Biológicas e Matemática, por exemplo, não são as áreas mais rejeitadas pelos estudantes."
"O interessante é que nenhuma disciplina está muito distante da outra em termos porcentuais”, assegurou Davi Oliveira dos Santos.
Ainda em processo de matrícula para o ano letivo de 2022, a REE ampliou o questionário de áreas de interesse para todos os alunos que desejam permanecer nas escolas estaduais ou para aqueles que vão ingressar pela primeira vez na rede.
Em outubro, durante o lançamento do programa MS Alfabetiza, o governador Reinaldo Azambuja anunciou que a Rede Estadual de Ensino vai passar de 98 para 132 escolas com a oferta do ensino em rempo integral no Ensino Fundamental e no Médio, por meio do programa Escola da Autoria, em 2022.
NOVO CURRÍCULO
Com o foco em um ensino menos engessado, que tem o aluno como protagonista de seu conhecimento, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) fará parte de 60% das matérias estudadas em sala de aula a partir do ano que vem.
Na prática, isso significa que o estudante terá flexibilidade para, ao longo dos três anos do Ensino Médio, fortalecer o seu projeto de vida por meio de cinco áreas de conhecimento.
As disciplinas de Português e Matemática continuam obrigatórias para todos os estudantes e, apesar de excluídas no texto original da medida provisória, as matérias de Educação Física, Artes, Filosofia e Sociologia vão permanecer no currículo da Base Nacional.
A BNCC será formada pelos conteúdos das disciplinas tradicionais e obrigatórias do Ensino Médio, como História, Geografia, Biologia, Física, Química e Literatura.
O conteúdo foi aprovado no fim de 2018 pelo Conselho Nacional de Educação e, posteriormente, homologado pelo Ministério da Educação (MEC).
CARGA HORÁRIA
A partir de 2022, as escolas públicas e particulares de todo o País terão de aumentar a carga horária do Ensino Médio de 800 horas para 1.000 horas anuais.
De maneira progressiva, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) é a de que, até 2024, 50% das escolas do Ensino Médio e 25% das instituições de Educação Básica sejam de tempo integral, com 1.400 horas, o equivalente a sete horas por dia dentro do ambiente escolar.
No entanto, conforme as diretrizes da BNCC, as instituições de Ensino Médio não poderão exceder 1.800 horas-aula por ano.
A partir dos resultados obtidos com a adaptação nas 122 escolas piloto em Mato Grosso do Sul, 100% da REE deve iniciar o próximo ano letivo (3 de março) conforme o novo currículo definido pela BNCC.
“O interessante é que iniciamos o ano letivo de 2021 ainda no contexto não presencial, com as aulas remotas em razão da pandemia de Covid-19.
A partir do próximo ano, todas as escolas estaduais que ofertam o Ensino Médio já vão trabalhar com o novo modelo de, no mínimo, 1.000 horas anuais de ensino por ano”, explicou o coordenador do Ensino Médio e Ensino Técnico da SED.